A fantasia leva a família Owens à Inglaterra para tentar quebrar a maldição do amor
“Tenho certeza de que vocês já ouviram falar das irmãs Owens”, começa a narração de abertura de “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor”. Se você já ouviu, o filme sugere, aqui está o convite para revisitar a casa da família mais uma vez, depois de todo esse tempo. E como exercício de nostalgia, o longa funciona bem o suficiente para conjurar algumas faíscas quentes, ainda que não chegue a lançar seu próprio feitiço. Se, por outro lado, você nunca ouviu falar das irmãs Owens ou não sentia vontade de revisitar essas personagens, esta fantasia dirigida por Susanne Bier pode parecer um livro de feitiços com todas as páginas coladas, dado o encanto que você vai conseguir extrair dela.
Como no original de 1998, a melhor razão para assistir à sequência continua sendo a química entre Sally, de Sandra Bullock, e Gilly, de Nicole Kidman. Quase três décadas depois da última visita a essas personagens, Sally se estabeleceu em uma nova carreira como bibliotecária, enquanto Gilly… bem, não dá para afirmar com certeza o que Gilly faz, além de flanar pela cidade encantando crianças com pequenos truques. O que importa é que, quando as irmãs Owens voltam a dividir a tela, preparando margaritas à meia-noite ou se provocando por causa de homens, todos esses anos simplesmente derretem.
É tudo o que o roteiro de Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel constrói em cima dessa base que parece prestes a desmoronar, começando pela própria premissa. “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” revela que, nos anos desde a última vez que vimos a clã, o marido de Sally sucumbiu à mesma maldição que matou todos os outros amores das mulheres Owens. Devastada, Sally decide que a melhor forma de proteger as filhas é simplesmente nunca contar a elas sobre a maldição, ou sobre qualquer outro assunto de bruxaria.
E assim as meninas de Sally, Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams), chegaram à vida adulta sem saber que se apaixonar é essencialmente condenar alguém à morte precoce. Mas quando o besouro da morte começa a rondar o namorado de Kylie, um DJ emocionalmente disponível, a verdade sobre sua linhagem vem à tona. Furiosa por ter sido enganada a vida inteira, Kylie pega o próximo avião para a casa ancestral das Owens na Inglaterra, com a intenção de quebrar a maldição de uma vez por todas. Sally, claro, não tem escolha senão correr atrás dela.

O ritmo acelerado faz o filme passar mais rápido do que suas duas horas e dez minutos, mas também impede o tipo de narrativa complexa e cheia de nuances necessária para dar peso emocional à história. Quase não temos tempo de lamentar o afastamento de Sally de seus dons sobrenaturais antes que ela volte a assumi-los por completo, e as personagens coadjuvantes nunca ganham profundidade. A cena final, com as Owens flutuando rumo à vitória, pode não fazer muito sentido, mas é uma imagem doce o suficiente para arrancar um sorriso.
Alguns feitiços são feitos para durar, outros para serem quebrados. Alguns filmes são feitos para permanecer no carinho do público, a ponto de gerar apetite por uma continuação décadas depois. Outros se contentam em provocar alguns sorrisos antes de se dissipar como fumaça. “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” se encaixa bem nessa segunda categoria: inofensivo, simpático e salvo pela química imortal de suas protagonistas, mas difícil de encantar de verdade.
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