Aos 79 anos, cantor e pianista prova que o descanso devolveu a potência aos seus clássicos

A volta de Elton John ao Brasil, após 11 anos, trouxe grandes hinos românticos e o cantor trajando um terno de paletó amarelo fluorescente e camisa azul-marinho. Em sua terceira vinda ao Rock in Rio e oitava passagem pelo país, Elton se tornou o headliner mais velho da história do festival. Nesta segunda-feira, ele fez um show com 24 músicas em 2 horas e 15 minutos, permeado por interações bem econômicas com o público.
Entre uma canção e outra, Elton reservou poucas palavras para momentos especiais. “Este ano seria o centésimo aniversário da Marilyn Monroe e essa música é sobre ela”, disse antes de “Candle in the Wind”. “Com vocês, Dua Lipa”, apresentou, quando a cantora apareceu no telão em “Cold Heart”. “Essa música foi a mais rápida que escrevi com Bernie. E ela só é popular no Brasil”, comentou sobre “Skyline Pigeon”, trilha da novela “Carinhoso”.
Quando a turnê de despedida de Elton John terminou em 2023, após 330 shows, os fãs brasileiros cruzaram os braços e ficaram de bico. A questão é que Elton está aposentado, mas nem tanto: ele ainda aceita shows pontuais, como o desta segunda e os dois marcados para outubro, no México. A vinda ao festival, segundo ele, foi para compensar o fato de não ter vindo ao Brasil na última tour.
Com mais tempo para repousar, Elton pareceu mais descansado e com a voz mais encorpada. “Não tenho muita voz sobrando, mas vou cantar essa”, avisou antes da despedida com “Your Song”. O intervalo mais longo entre as apresentações devolveu o fôlego para segurar as notas mais exigentes e os momentos mais agitados, como na sequência de “Crocodile Rock”, “Saturday Night’s Alright for Fighting” e “I’m Still Standing”.

O setlist é bem montado e a execução melhor do que em outras vindas, mas há um senão: projeções aleatórias dominam os telões, de cenas do musical “Rocketman” a uma garota quebrando o vidro de um carro com um skate. Em músicas como “Tiny Dancer” e “Honky Cat”, o telão sequer mostrou o cantor. Em um festival para perto de 100 mil fãs, isso é um crime.
Com um repertório que o fez vender mais de 300 milhões de discos em todo o mundo, Elton passeou pelo melhor do rock radiofônico, com baladas imbatíveis como “I Guess That’s Why They Call It the Blues” e “Goodbye Yellow Brick Road”. Sentir ao vivo o peso desses clássicos ganha outros contornos quando se sabe que Elton desacelerou o ritmo na carreira. Só que ele segue entoando “I’m Still Standing” e a torcida é para que continue em pé por muito tempo.
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