O longa traz John Cenae uma legião de personagens queridos da Looney Tunes
Wile E. Coyote já passou por muita coisa, mas nunca foi tratado de forma tão injusta quanto pelos executivos da Warner Bros., que quase deixaram seu filme protagonista ser descartado e transformado em prejuízo fiscal. Ao contrário de suas disputas com o Papa-Léguas, porém, Wile sai vencedor agora que “Coyote vs. Acme” foi resgatado pela Ketchup Entertainment, que fez um resgate igualmente valioso com “The Day the Earth Blew Up”, e ganhou um lançamento digno nos cinemas. É um prazer reportar que o filme é uma delícia hilária, um dos melhores híbridos de live-action e animação já feitos, que será valorizado pelos fãs da Looney Tunes.
A sofisticação da premissa imaginativa do filme é indicada por sua origem: um artigo satírico do New Yorker escrito pelo humorista Ian Frazier. A ideia, “baseada em uma história real”, segundo os créditos de abertura, é que Wile se cansou do abuso físico constante nas mãos da Acme Corporation, cujos produtos explodem em seu rosto o tempo todo. Ao ver um outdoor perguntando se ele sofreu um “acidente de desenho animado” e anunciando os serviços do escritório de advocacia “Avery, Jones & Maltese”, ele recorre ao advogado Kevin Avery, interpretado por Will Forte, que se especializa em acordos extrajudiciais por valores simbólicos para seus clientes animados.
Infelizmente para Kevin, Wile se mostra um cliente pouco cooperativo, mesmo quando o advogado da Acme, Buddy Crane, vivido por John Cena, oferece generosos 50 mil dólares. Kevin é forçado a ir a julgamento, enfrentando obstáculos logísticos como a dificuldade de intimar o Papa-Léguas. Ele logo descobre uma conspiração corporativa envolvendo o cientista da Acme, Dr. Lorre, e uma infinidade de personagens da Looney Tunes, incluindo o delator Pernalonga, o relações-públicas Diabo da Tasmânia, o CEO Frangolino e o chefe de investigação do Senado, Patolino.

Repleto de tantas piadas internas e referências à Looney Tunes que até os fãs mais hardcore terão dificuldade de acompanhar, “Coyote vs. Acme” se mostra consistentemente engraçado ao misturar personagens humanos e clássicos dos desenhos. Cena se entrega ao seu personagem exagerado com o entusiasmo característico, especialmente na cena em que interroga ameaçadoramente o assustado Piu-Piu. Dezenas de outros personagens da Looney Tunes fazem aparições breves, a maioria com vozes hilárias do veterano Eric Bauza.
Forte, atuando como contraponto cômico ao silencioso, mas muito expressivo, Wile, faz um ótimo trabalho de humor seco, assim como diversos coadjuvantes, incluindo Luis Guzmán como um juiz que usa um martelo de desenho animado quando apropriado. O roteiro de Samy Burch, indicada ao Oscar por “Segredos de um Escândalo”, traz uma piada engenhosa atrás da outra, como o Papa-Léguas fazendo uma aparição surpresa no tribunal e prestando depoimento por meio de bipes.
Mais surpreendentemente, o filme dirigido por Dave Green também se mostra emocionalmente ressonante, com Wile e Kevin formando um vínculo emocional inesperado, ainda que não muito verbal. E para aqueles que passaram muitas horas felizes rindo do Papa-Léguas levando a melhor sobre seu perseguidor fanático, é emocionante descobrir que os dois têm respeito mútuo e são até amigos. É a brodagem de desenho animado que estávamos esperando.
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