Artista troca pagode por soul e R&B em homenagem à Motown Records

Quem já foi a algum show de Péricles certamente já o viu inserir “Stand by Me”, de Ben E. King, no meio de seus sucessos do samba e do pagode. Mas para a apresentação no Palco Sunset do Rock in Rio, nesta segunda-feira, o artista fez desse gênero o principal. E único. Péricles deixou para trás a linha musical que o consagrou, abraçou hits do soul e do R&B norte-americanos e usou o português somente para conversar com o público.
A apresentação foi uma homenagem à Motown Records, gravadora que teve papel crucial na integração racial da música popular norte-americana e ajudou a criar a black music. O show foi criado exclusivamente para o festival e sugerido por Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, ideia abraçada imediatamente pelo cantor. Fundada em 1959 por Berry Gordy Jr., a Motown lançava quase exclusivamente artistas negros em uma época de segregação racial nos EUA, e foi casa de Marvin Gaye, Stevie Wonder, The Supremes, The Temptations, The Jackson 5, Diana Ross, Lionel Richie, Martha & The Vandellas e Smokey Robinson & The Miracles.
Para Péricles, a gravadora foi inspiração. Em entrevista recente ao g1, ele contou que a Motown o motivou a ter coragem de criar seu próprio selo e sua própria empresa, a Farias Produções. “Exemplos como o Motown mexem com a gente”, disse. Quem esperava ouvir “Até que Durou”, “Melhor Eu Ir” ou relembrar os hits do Exaltasamba pode ter saído decepcionado, mas quem foi aberto a uma nova experiência e entende o apelido de “Rei da Voz” se encantou.
Usando um figurino todo prateado e uma capa com fotos de artistas da Motown, Péricles abriu o show com “Ain’t No Mountain High Enough”, de Marvin Gaye, e emendou “I Want You Back”, do Jackson 5. “My Girl”, “Cruisin'”, “I’ll Be There”, “End of the Road”, “Let’s Get It On” e “All Night Long” também entraram no setlist, ao lado de uma azeitada banda com nove músicos e quatro backing vocals criada especialmente para o festival.

Ao longo da apresentação, o pagodeiro ficou completamente confortável, como se fizesse aquele show especial sempre. Tirou onda, dançou, se divertiu, e os ensaios aconteceram em meio à produção e gravação de um novo álbum, que será lançado no fim de setembro. No palco, foram 14 músicas no total. Velha conhecida do artista, “Stand by Me” não estava entre elas, já que não integra o catálogo da Motown. “ABC” e “Superstition”, de Stevie Wonder, fecharam a apresentação.
Em 2024, Péricles participou de um show em homenagem a Alcione e cantou clássicos como “Sufoco” e “Você Me Vira a Cabeça”. Agora, falta o artista subir ao palco do festival cantando ele mesmo, mostrando toda a sua história em um espaço que já se abriu para o gênero, como fez Belo no Palco Favela, quase ao mesmo tempo em que Péricles se apresentava. Para comemorar o samba e o pagode no evento, caso a casa se abra ainda mais para o gênero, discurso ele já tem.
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