O longa acompanha alienígenas vestidos como gangue de motoqueiros dos anos 1950 que vêm conquistar a Terra
Assistindo a “Alpha Gang”, a nova comédia sci-fi dos cineastas David e Nathan Zellner, é muito fácil imaginar a empolgação que deve ter sido criar o visual da coisa. Os protagonistas, uma pequena esquadrilha de alienígenas infiltrados no nosso planeta, estão vestidos com jaquetas de couro cravejadas de uma gangue de motoqueiros dos anos 1950. Sua base, escondida em algum interior europeu devastado pela guerra, parece ao mesmo tempo as ruínas de um castelo antigo, uma caverna opulenta digna de Drácula e uma nave espacial retrô-futurista com superfícies de cromo brilhante.
É um amálgama impressionante de influências visuais, e certamente incomum. Não consigo pensar em outro filme que culmine, essencialmente, com cavaleiros medievais atravessando um bunker nuclear da Guerra Fria. Mas também não saberia dizer por que isso acontece, ou por que qualquer coisa que acontece no longa acontece. Estreando em Telluride, “Alpha Gang” é um mood board em busca de uma história.
É possível ver que o roteiro pretende dizer algo sobre o que significa ser humano em tempos de grande conflito. A gangue titular é um sexteto estrelado formado por Léa Seydoux, Dave Bautista, Kelvin Harrison Jr., Lily-Rose Depp, Doona Bae e Riley Keough, com seus números de identificação indo nessa ordem. Como alienígenas de todo o cinema, a missão deles aqui é conquistar, embora pareçam totalmente desinteressados em saber para que propósito exato.
“Alpha Gang”, no entanto, não está exatamente a caminho de uma guerra pelo destino do mundo. Em vez disso, é principalmente o time contra a própria humanidade recém-descoberta. Os corpos que assumiram são terrivelmente inconvenientes, com a necessidade constante de comer, beber e fazer necessidades. Pior, são altamente suscetíveis a uma condição contagiosa conhecida como “ter emoções”. Tão perigosa que qualquer um infectado deve ser imediatamente colocado em quarentena.”

E, claro, todos eles têm a doença. A tripulação está fascinada por conceitos terrenos novos para eles, como formigas e balas de caramelo, e especialmente intrigada com essa coisinha maluca chamada “amor”, que parece ser a preocupação central de todos os hits de jukebox dos anos 1950 com os quais fazem festas de dança várias vezes ao dia. A música do filme, com trilha do Octopus Project e seleção de Jillian Ennis com Elvis e The Crystals, é outro destaque superficial desse longa oco.
Há momentos engraçados, ou engraçados-tristes. Em um deles, o inocente Alpha Three recebe a visita de um falcão mensageiro e pede seriamente para namorar com ele, assumindo que qualquer criatura tão majestosa deve ser muito importante na hierarquia terrena. Em outro, Alpha Four decide que quer ser conhecida por um nome em vez de um número, levando a uma discussão cômica sobre quem fica com qual nome. Há também uma doce tensão entre Alpha One e Alpha Two que deveria ser o cerne emocional do filme, mas só faz desejar ver Bautista em um romance de verdade num filme melhor.
Mesmo com adições ao elenco como Chris Pine e Cate Blanchett, que trazem muito brilho, o longa não ganha profundidade ou intriga. O que sobra parece menos um filme e mais o esboço de um, com desenvolvimento de personagens e trama para serem preenchidos depois. Se essa aparência estilosa, mas sem substância, é o que significa ser humano, não culparia nenhum alienígena por dar uma olhada e voltar correndo para o próprio planeta.
O longa ainda não tem data de estreia no Brasil.
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