
O Sepultura subiu ao Palco Mundo em clima de despedida. Dentro da turnê final Celebrating Life Through Death, a apresentação marcou a última passagem prevista da banda pelo Rock in Rio, um festival que acompanhou diferentes momentos de sua história. O encerramento definitivo das atividades está programado para acontecer após a conclusão da turnê de 40 anos. A informação é confirmada pelo site oficial do Sepultura.
Para esse último encontro com a Cidade do Rock, o grupo tomou uma decisão corajosa: celebrar exclusivamente a era Derrick Green. Tocando um repertório a partir do Against, álbum de 1998 que marcou a estreia do vocalista, obviamente também tocaram outras músicas de diferentes trabalhos gravados desde a chegada de Derrick ao Sepultura.
Isso significou deixar de fora músicas praticamente obrigatórias em qualquer apresentação da banda, como “Territory”, “Roots Bloody Roots” e “Refuse/Resist”, além de todo o repertório anterior a 1998. Uma ausência que poderia causar estranhamento, mas que fazia sentido dentro da proposta. O conceito do show já havia sido anunciado pela banda: reconhecer a importância de Derrick Green e colocar sua trajetória no centro da despedida.
E essa homenagem era necessária. Derrick assumiu uma das missões mais difíceis do metal: ocupar o posto deixado por Max Cavalera e ajudar a manter o Sepultura vivo, criativo e relevante durante quase três décadas. Em vez de utilizar o último Rock in Rio para recorrer somente à nostalgia, a banda escolheu valorizar o homem que atravessou boa parte de sua história.

No palco, peso e legado definiram a apresentação. Andreas Kisser, Paulo Jr., Derrick Green e Greyson Nekrutman entregaram a força esperada de uma banda que aprendeu a ocupar qualquer espaço inclusive a imensidão do Palco Mundo. Os telões gigantes foram utilizados como parte efetiva do espetáculo, ampliando o impacto visual e recebendo muitos elogios do público nas redes sociais.
O público, aliás, compreendeu a proposta. Mesmo sem os maiores clássicos da primeira fase, veio junto, respeitou a escolha e respondeu à intensidade que saía do palco. Porque o vínculo construído pelo Sepultura com o Brasil já ultrapassou qualquer música ou formação específica.
O Sepultura é a maior banda de rock que este país já produziu. Uma banda brasileira que atravessou fronteiras, conquistou respeito internacional e abriu caminhos que provavelmente nunca serão completamente mensurados. Se essa foi realmente sua despedida do Rock in Rio, ela aconteceu de maneira coerente com sua história: pesada, imponente e sem viver apenas do passado.
Mais do que dizer adeus, o Sepultura aproveitou o palco para fazer justiça a Derrick Green. E saiu dele lembrando que seu legado pertence ao mundo, mas começou aqui.
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