Programação gratuita em Belém une cultura, saberes tradicionais, música e sustentabilidade
Celebrado em 5 de setembro, o Dia da Amazônia se desdobra em um mês inteiro de reflexões, encontros e experiências no Museu das Amazônias (MAZ), em Belém. A partir do dia 13, o espaço promove uma programação cultural e educativa gratuita que propõe olhar para a maior floresta tropical do mundo para além de sua biodiversidade. Sob o tema Técnicas da Abundância, as atividades destacam também povos, alimentos, conhecimentos, expressões artísticas e diferentes formas de produzir, criar e conviver desenvolvidas nos territórios amazônicos.

A programação começa com o Roteirinho MAZ, no dia 13, dedicado ao público infantojuvenil, com diálogos e oficinas criativas na varanda do museu. No dia 18, a nona edição do MAZ Música volta suas atenções para a força dos tambores e das sonoridades amazônicas. Ritmos como carimbó e marabaixo, além de instrumentos construídos com sementes e maracás, integram as atividades, que terão como atração principal o grupo Fé no Batuque. A proposta evidencia como música, memória e território permanecem profundamente conectados na construção das identidades culturais da região.
A dimensão educativa ganha novo espaço no dia 19 com a primeira edição do LAB MAZ – Laboratório de Mediação Cultural, formação gratuita destinada a educadores, artistas, agentes culturais, mediadores e demais interessados. A iniciativa também contempla crianças, adolescentes e grupos escolares por meio do Desafio LAB MAZ, experiência baseada em jogos e na criação de novas propostas lúdicas. Já em 25 de setembro, o Vivências MAZ aborda o tema Feiras, Produção Alimentar e Territórios: O Caminho da Abundância Amazônica, relacionando alimentação, memória, produção, comercialização e sustentabilidade. A atividade integra ainda a 20ª Primavera dos Museus, realizada nacionalmente entre 21 e 27 de setembro.
O encerramento acontece no dia 27 com a estreia do MAZ ao Pôr do Sol. Em parceria com o Sesc Pará, a varanda do museu recebe gratuitamente o espetáculo BANDO, do Palco Giratório, além da oficina A Notícia que Mora no Corpo. A atividade estabelece um diálogo entre Teatro-Jornal, escrita poética e performance a partir de notícias relacionadas à justiça climática e aos impactos da crise do clima na Amazônia. A escolha amplia a discussão ambiental ao aproximá-la das artes cênicas e das experiências de quem vive as transformações do território.
Mais do que celebrar uma data ambiental, a programação de setembro propõe compreender a Amazônia em sua pluralidade. Ao aproximar ciência, arte, alimentação, educação, ancestralidade e questões climáticas, o Museu das Amazônias desloca a floresta da imagem de um território exclusivamente natural para apresentá-la como espaço de produção cultural, intelectual e social. É justamente essa ideia de múltiplas Amazônias — formadas por diferentes povos, conhecimentos, histórias e maneiras de existir — que atravessa as atividades e transforma o mês comemorativo em oportunidade de reflexão sobre preservação, pertencimento e futuro.
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