Banda mineira usa metal como arma contra o racismo e o fim da escala 6×1

O Rock in Rio 2026 registrou um dos momentos mais potentes de sua programação no fim da tarde deste sábado, quando Black Pantera e Nervosa dividiram o Palco Sunset. O encontro reuniu o trio mineiro de Uberaba, que há mais de uma década usa o metal como ferramenta de combate ao racismo, e o grupo paulista de thrash metal formado somente por mulheres, em uma apresentação carregada de simbolismo e representatividade.
A banda de Uberaba, formada em 2014 pelos irmãos Charles Gama e Chaene Gama, ao lado do baterista Rodrigo Pancho, abriu o show com “Hórus”, faixa que fala de sincretismo religioso. Na sequência, veio “Padrão É o Caralho”, cujo refrão ecoou forte na plateia: “Jesus não era branco, não era ariano. A vida começou no continente africano”.
Embalada pelo álbum “Continental”, lançado em agosto, que mistura rock pesado com rap, soul e referências afro-brasileiras, a banda reforçou seu discurso em defesa da América do Sul e do Sul Global. No repertório, também passou “Tradução”, que descreve a rotina de uma mãe que trabalha fora de casa e não tem tempo para ficar com o filho. Do palco, o vocalista mandou um beijo para a própria mãe na plateia e dedicou a canção ao fim da escala 6×1.
O compromisso do Black Pantera em refletir seu tempo atravessa toda a discografia do grupo, desde “Project Black Pantera” até “Agressão”, “Ascensão” e “PERPÉTUO”. Em 2020, a banda lançou “I Can’t Breathe”, inspirada no assassinato de George Floyd, reafirmando sua posição como voz ativa dentro do cenário musical brasileiro.
Com cerca de 20 minutos de apresentação, a vocalista Prika Amaral, da Nervosa, subiu ao palco para cantar “Serotonina”, faixa gravada originalmente com a rapper Duquesa. O clima transformou-se por completo, e a banda paulista, que retorna ao Rock in Rio pela segunda vez, agora com a turnê de “Slave Machine”, deu a ordem para uma roda formada apenas por meninas.

Enquanto as mulheres abriam espaço na roda, homens com camisetas do Black Pantera, muitos deles negros, recuavam e incentivavam, alguns com a frase “fogo nos racistas” estampada nas costas. A cena sintetizou, em poucos minutos, a força de um encontro que uniu música, resistência e representatividade em um dos maiores festivais do mundo.
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