Cantor americano tenta conquistar público com pop punk emotivo em noite de rock pesado

O rapper e cantor americano MGK, antigo Machine Gun Kelly, fez sua estreia no Rock in Rio neste sábado, em uma apresentação que resumiu em cerca de uma hora sua trajetória do rap ao pop punk. Colson Baker, nome real do artista de 36 anos, subiu ao palco apostando nas faixas mais pesadas de seu repertório, mas encontrou uma plateia dividida e, em alguns momentos, abertamente hostil.
Logo no início do show, o cantor precisou interromper a apresentação para acalmar parte do público que o vaiou. Fãs de Avenged Sevenfold, uma das principais atrações da noite, não demonstraram simpatia pelo artista. Meio nervoso, MGK se apresentou como um rapaz de Ohio vivendo seu sonho e afirmou estar ali para cantar para seus fãs, em um discurso que tentou amenizar o clima tenso do festival.
A abertura ficou por conta de “FIX UR FACE”, lançada no ano passado, que evidenciou as influências do pop rock de rádio dos anos 1990 no som do artista. A faixa carrega referências ao Limp Bizkit, com participação do vocalista Fred Durst na versão de estúdio. Em um repertório repleto de versões, MGK deixou de lado seu maior sucesso, “Bad Things”, com Camila Cabello, apostando em outras referências do gênero.
A nova fase apresentada no festival também trouxe uma mudança de identidade artística. O músico já havia explicado que “Machine Gun Kelly” era um personagem inspirado em um gângster dos anos 1930 e que buscava agora uma imagem mais pacífica. A estreia no Brasil havia acontecido no Lollapalooza 2022, em uma performance em câmera lenta que dispersou parte considerável do público.

No palco, MGK seguiu com sua estética característica: cantou em um microfone sustentado por um pedestal em formato de cigarro, dançou como se estivesse em uma boyband durante o solo de “Vampire Diaries” e alternou momentos de pop rock triste com discursos emocionados sobre a vida. A performance dividiu opiniões e não conseguiu conquistar plenamente a plateia.
A noite teve momentos acima da média, como a versão sóbria de “My ex’s best friend”, última faixa apresentada. Em um festival dominado por emos, a proposta poderia fazer sentido, mas em uma noite de Rock in Rio dedicada ao rock pesado, com Avenged Sevenfold e Sepultura no comando, a aposta de MGK não funcionou como esperado.
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