Sesc Pompeia reúne gerações e sonoridades em setembro

Programação conecta música brasileira, atrações internacionais e novos lançamentos

O Sesc Pompeia transforma setembro em um amplo panorama da produção musical contemporânea, reunindo artistas de diferentes gerações, lançamentos de discos, celebrações de trajetórias históricas e atrações internacionais. A programação atravessa gêneros como samba, rock, rap, reggae, R&B, música eletrônica e tradições populares, estabelecendo diálogos entre memória e renovação. Entre os destaques estão Terno Rei, Sílvia Pérez Cruz, Geraldo Azevedo, Silva, Tinariwen, Kiko Dinucci e KL Jay, além de homenagens às obras de Aldir Blanc e Cristina Buarque.

Crédito: Divulgação

A agenda começa colocando diferentes momentos da música lado a lado. Terno Rei celebra os dez anos de Essa Noite Bateu Com Um Sonho, álbum importante na consolidação do grupo dentro do indie brasileiro, enquanto Anaïs Sylla apresenta Exil e Claudya revisita seis décadas de carreira no espetáculo Deixa Eu Dizer. A cantora catalã Sílvia Pérez Cruz chega com Oral_Abisal, trabalho que amplia sua investigação entre flamenco, jazz e canção ibérica, enquanto Geraldo Azevedo retorna às próprias memórias musicais em apresentações de voz e violão. Na sequência do mês, Rafa Castro apresenta Em Silêncio o Afeto Cresce e Silva revisita sucessos acumulados ao longo de 15 anos de trajetória.

A pluralidade também aparece na aproximação entre tradição, experimentação e identidade. O Violeta de Outono celebra o relançamento em vinil de seu primeiro álbum, reafirmando a importância do rock psicodélico brasileiro, enquanto Edgar recupera a atmosfera dos sound systems periféricos em REWIND – Reggae, Periferia e Futuro. Maurício Pazz lança Afã e Fé, Gabriele Leite apresenta Gunûncho e a Academia da Berlinda leva ao palco as canções inéditas de Jandaias. São projetos que revelam diferentes caminhos da produção atual e mostram como a música brasileira continua sendo construída pela circulação entre territórios, referências e linguagens.

A memória da canção brasileira ganha espaço especial com Guinga, Moacyr Luz e Zé Renato no espetáculo Aldir Blanc – 80 anos, dedicado ao legado de um dos grandes compositores da música popular do país. Ilessi e Gabriel da Muda, por sua vez, revisitam o repertório registrado por Cristina Buarque ao lado de Mauro Duarte. A dimensão internacional da programação se fortalece com o Tinariwen, grupo formado por músicos tuaregues do Mali e uma das principais referências do chamado desert blues, cuja música aproxima tradições do Saara, guitarras elétricas e a história cultural de seu povo.

Na reta final do mês, Nara Couto apresenta Travessia, acompanhada pela participação de Tiganá Santana, aprofundando conexões entre matrizes afro-brasileiras, diáspora africana, memória e território. Pagode da Gigi, Baile de Ladinho e Kiko Dinucci ampliam esse mosaico, enquanto KL Jay, DJ dos Racionais MC’s e figura central da cultura hip-hop brasileira, encerra setembro ao lado da Família, DJ Kalfani e Hanifah em um baile dedicado ao soul, samba-rock e clássicos da black music. Mais do que reunir uma sequência extensa de apresentações, a programação do Sesc Pompeia constrói um retrato da música como espaço de permanência, transformação e encontro entre diferentes gerações.

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