Andressa Tabaczinski estreia na Rocco com romance sobre privilégios e silenciamentos

Boas meninas se afogam em silêncio, da médica e escritora gaúcha Andressa Tabaczinski, chega em nova edição pela Rocco (272 págs.) depois de ter sido finalista do Prêmio Jabuti 2025 na categoria Romance de Entretenimento. Publicado anteriormente com o título Crisálida, o thriller investigativo combina investigação policial, drama familiar e uma crítica às estruturas conservadoras da alta sociedade curitibana. O ponto de partida é a descoberta do corpo de Amélia Moura — filha de um deputado pastor, noiva exemplar e professora dedicada — encontrada com marcas de estrangulamento em meio às araucárias de uma região afastada de Curitiba.
O caso, inicialmente arquivado por falta de provas, é reaberto sob pressão da mídia. A delegada Ana Cervinski e o policial Júlio Bragatti retomam a investigação e logo descobrem que Amélia recebia visitas secretas de uma mulher, registradas por câmeras de segurança. A revelação desfaz a narrativa da “boa menina” e expõe uma vida privada repleta de segredos — e de silenciamentos impostos por uma estrutura familiar conservadora e religiosa. Ao entrelaçar feminicídio e repressão à sexualidade feminina, o romance evidencia como esses mecanismos de controle podem irromper em violência.
A narrativa alterna o olhar dos investigadores com a perspectiva de Amélia nos meses que antecedem o crime, criando um ritmo que remete às melhores séries de investigação. A gênese do livro está diretamente ligada à experiência da autora em Curitiba, onde trabalhou como médica durante o auge da Operação Lava Jato — período em que a cidade ostentava uma imagem de superioridade moral que contrastava com casos reais de violência e impunidade. Casos como o feminicídio de Renata Mugiatti, assassinada pelo namorado e jogada da sacada para simular suicídio, marcaram profundamente a escrita da autora.
Para Andressa Tabaczinski, os temas centrais do livro — autodescoberta, relacionamentos LGBT, violência de gênero e dinâmicas de poder — nascem do interesse em investigar o conflito entre vida íntima e estruturas sociais conservadoras. A tentativa de “bancar o próprio desejo” pode ser lida como ameaça em determinados contextos, e é exatamente dessa tensão que a violência do romance eclode. Com uma abordagem ao mesmo tempo brutal e terna, Boas meninas se afogam em silêncio defende que nomear essas violências na ficção é também uma forma de tensionar as estruturas que ainda as tornam possíveis na vida real.
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