Cavalo selvagem: Mishima e o ideal de um Japão eterno

Segundo volume da tetralogia Mar da fertilidade chega pela Estação Liberdade

Divulgação

Cavalo selvagem, segundo romance da tetralogia Mar da fertilidade, de Yukio Mishima, mergulha no Japão dos anos 1930, logo após o Incidente de 15 de maio de 1932 — uma tentativa de golpe de Estado que serve de pano de fundo para a história do jovem Isao Iinuma. Filho do antigo criado de Kiyoaki Matsugae, protagonista do primeiro volume, Isao é construído por Mishima como um símbolo de pureza: fascinado pela Liga do Vento Divino e pelos ideais samurais, ele enxerga a integridade como modo de viver e o sacrifício como razão de ser, em reação direta à crescente ocidentalização do país.

A narrativa é entrelaçada com a perspectiva de Shigekuni Honda, agora juiz auxiliar, que reencontra Isao 19 anos após os eventos de Neve de primavera e nota nele semelhanças improváveis com o velho amigo Kiyoaki. Esse encontro abre espaço para as dicotomias centrais da obra — juventude e maturidade, tradição e progresso, razão e emoção —, que Mishima explora com sua linguagem densa e rebuscada, revelando uma visão de mundo marcada pelo idealismo e pela tensão entre o nativo e o estrangeiro.

Publicado pela Estação Liberdade, o romance integra uma tetralogia que o autor escreveu nos anos finais de sua vida, concluída pouco antes de seu suicídio ritualístico em 1970. Nascido em Tóquio em 1925, Yukio Mishima é um dos maiores nomes da literatura japonesa do século XX, autor também de Confissões de uma máscaraO marinheiro que perdeu as graças do mar e Vida à venda, entre outros títulos disponíveis no Brasil. Os volumes seguintes da tetralogia, O templo da aurora e A queda do anjo, também serão publicados pela Estação Liberdade.

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