BaianaSystem engrandece cultura popular no Rock in Rio

Grupo baiano estreia show solo dirigido por Alice Carvalho no Palco Sunset

Baiana System no Rock in Rio / @OXIDANY
BaianaSystem no Rock in Rio / @OXIDANY

A premiada BaianaSystem chegou ao Palco Sunset do Rock in Rio neste domingo homenageando o passado e apontando o que espera do futuro. Debaixo de um temporal que caía na Cidade do Rock, o grupo entrou ao som de “Água”, cuja letra diz que chuva miúda não mata ninguém. “Deixa molhar, people, é bênção”, tentou amenizar Russo Passapusso, vocalista, antes de emendar “Sulamericano”, um dos maiores hits da banda.

Em pouco menos de uma hora, o grupo formado em 2009 apresentou uma performance capaz de passear por quase todos os caminhos que ajudaram a construir sua história. Entraram referências do sound system jamaicano, da guitarra baiana, da música de orquestra, do samba, do reggae, da cumbia e do rock, em uma mistura que traduz a essência do som da banda.

O show, batizado de “O Ciclo”, foi pensado e dirigido por Passapusso, Filipe Cartaxo e pela atriz Alice Carvalho, que também participou da apresentação declamando um poema perto do final. A performance foi atravessada por fortes discursos políticos, com a frase “sem anistia” aparecendo no telão no lugar de “ordem e progresso” na bandeira do Brasil, enquanto o vocalista repetia “soberania, soberania, soberania”.

A apresentação também trouxe novidades, como a estreia do triolim, instrumento inventado por Dodô, um dos criadores do trio elétrico, além das vozes femininas da Orquestra Afrosinfônica. Há tempos, o BaianaSystem desenvolve um processo de retroalimentar o balaio da cultura popular brasileira, também fora dos grandes palcos, durante as viagens do projeto “Nossa Cultura em Primeiro Lugar”.

 Dodô, um dos criadores do trio elétrico, além das vozes femininas da Orquestra Afrosinfônica / @OXIDANY
Dodô, um dos criadores do trio elétrico, além das vozes femininas da Orquestra Afrosinfônica / @OXIDANY

Foi assim em um dos últimos shows do grupo, em Caruaru, no dia 29 de agosto, quando a banda reverenciou a Banda de Pífanos Zé do Estado, uma das mais tradicionais do Agreste pernambucano. No Rio, a banda tocou no finzinho do show uma de suas faixas mais novas, “Balacobaco”, parceria com Anitta, que começou a carreira no funk e já passeou pelo reggaeton.

A introdução da faixa decreta: “hoje terá balacobaco com pandeiro, cavaco e com samba de prato”. Emenda: “não importa o que você tem, o que importa é o que você faz com o que tem”. A estrofe parece funcionar bem para explicar quase tudo o que a banda fez no palco, em uma apresentação que celebrou a cultura popular brasileira em sua forma mais potente.

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