Estrela do R&B aposta em hits dos anos 2000 em segundo festival seguido

O que faz um artista que vem várias vezes ao Brasil em pouco tempo, mas não tem novos sucessos há quase 20 anos? Varia aqui e ali, inverte a ordem de algumas músicas, pensa em novas piadas, claro, mas não tem muito como reinventar a roda. Esse foi o desafio de Ne-Yo, que esteve entre as atrações principais do The Town 2023, do Rock in Rio 2024 e, neste domingo, tocou novamente no Rock in Rio 2026.
A essa altura, quase todo mundo conhece os truques que o músico tem na manga. Como abrir com “Closer” e seguir para “Because of You”, o que ele fez em todos os Rock in Rio e The Town, ou reservar um momento para “Irreplaceable” e “Take a Bow”, faixas que compôs para Beyoncé e Rihanna. Para não dizer que não tentou inovar, Ne-Yo até desceu do palco e trocou o chapéu de aba anônima pelo de cowboy, se aventurando em novidades como “Ms Tundra” e “Up Out Gone”.
Mas o show engatou mesmo em “So Sick”, “Miss Independent”, “Mad” e outros tantos sucessos. Esses nunca ficaram de fora nas últimas vindas e, mesmo assim, foram cantados aos gritos nesta noite. Afinal, Ne-Yo já foi um hitmaker de mão cheia, tanto que é difícil precisar o que aconteceu no meio do caminho.
Após a virada dos anos 2010, ele não vingou muito, fosse por escolhas estéticas que ficaram desatualizadas, por excesso de trabalho, a ponto de virar executivo na gravadora Motown, ou por se desencontrar musicalmente, à medida que o R&B romântico dos anos 2000 perdeu espaço. Nada disso impede que o cantor ainda saiba seu caminho no palco: para os parâmetros clássicos, é um artista completo, que canta bem, dança bem e tem presença de palco.

Foi assim que ele recebeu o convite para voltar no seu segundo Rock in Rio seguido. Dos ingressos esgotados desta noite, poucos devem ter vindo só pelo astro do R&B, já que não faltaram oportunidades recentes de vê-lo. Mas o Palco Sunset lotado não esconde que, uma vez aqui, todo mundo foi dar uma conferida.
A nostalgia foi mesmo a norma da noite, e Ne-Yo seguiu a cartilha. Fechou com um compilado festeiro de suas composições pop EDM: “Play Hard”, “Time of Our Lives” e “Give Me Everything”. No fim, o artista não tem tantas novidades, mas sabe vender o que tem e, pelo visto, isso tem bastado.
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