Rapper aposta em nostalgia e hits para animar plateia tagarela no festival

É difícil acreditar que Nelly tenha feito sua estreia no Brasil somente neste domingo de Rock in Rio. Cornell Iral Haynes Jr., nome real do rapper de 51 anos, fez muita gente suspirar, dançar e colar um band-aid no rosto lá pelos idos dos anos 2000. E ele sabe muito bem disso: as músicas daquela fase dominaram o setlist de 55 minutos, sobretudo as dos álbuns “Country Grammar” e “Nellyville”.
Neste chuvoso terceiro dia de festival, Nelly deixou claro que não veio para inventar. Com um DJ e um rapper de apoio, comandou uma festa nostálgica na qual basicamente grita palavras de ordem, rima e canta, trajando uma camisa de basquete da coleção da Nike dedicada a Michael Jordan e à Seleção Brasileira. Não há banda de apoio, transições bem pensadas ou direção artística para aproveitar o mega telão.
É como se três amigos subissem ao palco e ligassem uma playlist no estilo karaokê, incluindo o R&B “Just a Dream”, de 2010, uma das mais cantadas. Mesmo com uma performance tão enxuta, a plateia aprovou a ideia, embora não parasse de conversar. O pico da tagarelice vinha quando ele não estava cantando seus próprios hits, mas versões curtas de Michael Jackson, Hall & Oates e Journey, com Nelly berrando por cima.
Depois do show, o rapper conversou com o Multishow e explicou que estava indisposto antes de se apresentar. “Foi incrível, estou feliz que conseguimos fazer esse show. Há dois dias eu estava de cama, literalmente. Fiquei muito doente, destruído. Mas eu não perderia isso de maneira nenhuma”, contou.

Nelly não inventou a fusão de rap com refrões pop românticos, mas ajudou a consolidar essa fórmula. “Hot in Herre” e “Dilemma”, hit com Kelly Rowland, eram onipresentes na MTV, chegaram ao topo da principal parada da revista americana Billboard e cada uma rendeu a ele um Grammy. A carreira não parou por aí, mas o sucesso não se repetiu na mesma medida quando ele se arriscou pelo country rap, entre 2019 e 2021.
É um Nelly que pouca gente conhece e jamais seria para uma festa anos 2000 preguiçosa, mas animada. No Rock in Rio, o rapper provou que a nostalgia, mesmo com estrutura mínima, ainda tem força para conquistar uma plateia que não parou de cantar e dançar.
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