Projeto reúne oficina gratuita e dois solos dirigidos por Antonio Januzelli

Considerado uma figura de grande importância no teatro brasileiro contemporâneo, o ator, diretor e preparador de elenco Antonio Januzelli, o Janô, tem sua longeva trajetória profissional homenageada no projeto O Teatro de Antonio Januzelli, que conta com um laboratório lúdico dramático ministrado por ele e dois solos que tiveram sua direção. As atividades acontecem de 7 de novembro a 4 de dezembro no Sesc Pompeia, celebrando os 58 anos de carreira do diretor.
Antonio Januzelli começou sua carreira em agosto de 1968 e, desde então, nunca a interrompeu. É doutor em artes, pesquisador, ator, diretor e foi professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e da Escola de Arte Dramática da USP, onde lecionou de 1977 a 2002. Também foi membro de conselhos editoriais das revistas da ECA e da revista LUME-Unicamp e representante do Departamento de Artes Cênicas na AIEST, a Asociación Ibero Americana de Escuelas Superiores de Teatro.
No Laboratório Lúdico Dramático do Indivíduo Ator/Atriz, que acontece de 7 a 28 de novembro, aos sábados, das 14h às 17h, gratuitamente, os participantes têm a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido por Janô ao longo de seus 58 anos de carreira nos palcos. A oficina propõe exercícios fundados nas primeiras vivências que abrem as portas para o mergulho dos atores e atrizes que buscam ir além do representar.
O solo A Hora e Vez, com dramaturgia e atuação de Rui Ricardo Diaz e direção de Janô, tem sessões nos dias 12, 13, 14 e 18 de novembro, às 19h30; no dia 19, às 15h30 e às 19h30; e no dia 20, às 17h30. Inspirado na novela “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, de Guimarães Rosa, a peça se ancora no aspecto trágico presente na obra. O herói Rosiano trilha um caminho do qual parece não ter como fugir, e sua busca por livrar-se do destino o leva à sua destruição do ponto de vista físico. O trabalho estreou em 2014 e tem como alicerces princípios do trabalho de Antonio Januzelli, como as noções de “transfiguração” e “transmutação”, o indivíduo que deseja tornar-se outro, para contar a saga de Augusto Matraga. Na trama, um homem, um Griô, transita e se funde às figuras que gravitam em torno de Nhô Augusto, contando sua própria vida, numa revisão de seus percalços e angústias. “São 16 anos de trabalho ininterrupto até aqui. Transmutar-se em cena como potencialidade única. Em todos esses anos, aprendi a Incandescer para ser e, por meio das práticas do Laboratório Dramático, tomar posse de um estado que possa acompanhá-lo em todo e qualquer instante. É preciso tempo!”, diz Rui Ricardo Diaz sobre seu encontro com Janô.
Encenado por Janô em 2004, O Porco rendeu a Henrique Schafer o prêmio Shell de melhor ator. O espetáculo tem sessões nos dias 25, 26 e 27 de novembro e 2 e 4 de dezembro, às 19h30; e no dia 3, às 15h30 e às 19h30. Trata-se de uma adaptação assinada por Antonio Andres Lapeña para o livro “Stratégie pour deux jambons”, de Raymond Cousse. O texto retrata um porco que relembra momentos de sua existência: na reconstituição de sua trajetória, fala de seus antepassados, sua família, sua condição social e seus desejos. Não há metáforas. O que se ouve é o que se fala, ainda que prevaleça um jogo entre o que se expressa e o que se sente, um jogo que se traduz em um passeio pelo “porão animal do homem a caminho do abate”. “Ele viu em mim o que eu não sabia que em mim existia. Não que visse algo especial em mim, mas o que ele vê em tudo que está vivo e se deixa pegar fogo. Quando O Porco estreou eu tinha 37 anos. Janô dizia que essa peça só podia ser feita por alguém com mais de 40. E dizia ainda: como será fazer a peça quando você tiver 60 anos? O silêncio, o instante, o é. Estes foram os ensinamentos fundantes. O resto é caminho. Um caminho de exercícios”, diz Henrique sobre seu encontro com Janô. Henrique Schafer fez Licenciatura em Artes Cênicas na ECA/USP, e seu trabalho em teatro sempre se dividiu entre a sala de aula e o palco. “Um dia, nos corredores da USP, Janô disse que tinha um texto e perguntou se eu tinha vontade de fazer teatro. Ele coordenava o Laboratório das Práticas do Ator e eu topei na hora porque isso me interessava. Montar uma peça não era o objetivo, mas quando a apresentamos dentro do Departamento de Artes Cênicas, muitas pessoas disseram que nós precisávamos levar a peça adiante. Trabalhamos durante 4 anos e um dia, em 2004, estreamos num porão de um teatro que já não existe mais, o Viga. A repercussão foi muito boa e a peça marcou a cena teatral daquela época”, conta.
Serviço
O Teatro de Antonio Januzelli
Quando: 7 de novembro a 4 de dezembro de 2026
Sesc Pompeia – R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo
Oficina – Laboratório Lúdico Dramático do Indivíduo Ator/Atriz, com Antonio Januzelli
Datas: 7, 14, 21 e 28 de novembro, aos sábados, das 14h às 17h
Inscrições: de 20 de outubro a 4 de novembro em https://www.sescsp.org.br/programacao/o-laboratorio-ludico-dramatico-do-individuo-ator-atriz/
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