Cantora estreia no festival exaltando a cultura norte-mineira

Marina Sena finalmente estreou no Rock in Rio, no Palco Sunset, neste domingo. A artista já tinha passado pelo festival como convidada de Luísa Sonza e até pelo The Town, para cantar Gal Costa; mas só agora, em 2026, ganhou um show para chamar de seu. Podendo mergulhar em seu próprio repertório, Marina aproveitou para expandir suas “Coisas Naturais”. O disco fala sobre raízes e identidade da cantora, natural de Taiobeiras, no norte de Minas.
“Eu sou fruta do Norte / No curral, sou boi de corte / Sou água de enxurrada, pau preto no pé da serra”, dizia o interlúdio do show, trecho de “Desentoado”, do Grupo Raízes. O que norteou o show, musical e visualmente, foi essa pegada orgânica: rabeca, violões e percussões soltas, roupas e elementos como se feitos à mão. Para tanto, ficou de fora o álbum “Vício Inerente”, que a própria cantora já admitiu não amar. No lugar dele, entraram os singles “Taiobeiras (Folha Grande)” e “Carta de Maria”, parceria com Rubel.
Também ganharam destaque a interpretação de “Doçura”, com a participação do cantor venezuelano Luiz Lozano, do grupo Çantamarta. E o teatral momento de “Ouro de Tolo”, com o poema declamado a um pobre boneco de pano que ela acabou despedaçando. A música fala sobre o fim de um relacionamento, e o momento de Marina, recém-solteira, ficou aberto a interpretações.
Como é de praxe no festival, o show contava com uma convidada: a paulistana Céu, que fez uma aparição bastante breve. Ao lado de Marina, Céu cantou “Varanda Suspensa” e “Malemolência”. A segunda ficou especialmente interessante como um dueto, e os timbres delas ornaram bem. Infelizmente, Céu foi subutilizada, e o som baixo não ajudou, deixando o público disperso.

Na noite chuvosa e meio fria, pouco norte-mineira, aliás, de domingo, o que aqueceu o público pra valer foi o trecho menos conceitual, mais hit atrás de hit, com “Por Supuesto”, “Voltei Pra Mim”, “Lua Cheia” em diante. E principalmente a sequência final, com “Carnaval” e “Desmitificar”, quando ela revira os olhos e o show fica quase assombroso. “Quero ver todo mundo transcendendo nessa p*rra”, gritou a artista. Músicas que resumem o que trouxe Marina Sena até aqui: saber levar sua mística de Brasil aos palcos pop, sem abrir mão de uma coisa, nem outra.
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