Groove infalível e bons vocais de Jay Kay em dia de k-pop

A banda britânica Jamiroquai estava meio deslocada no line-up desta sexta-feira, dia de k-pop no Rock in Rio. Nesta segunda vez pelo festival, 15 anos após a última, o grupo ocupou um espaço peculiar entre as atrações: tocou no Sunset, logo antes do headliner Stray Kids, no Palco Mundo. Com essa concorrência desleal, as fiéis “stays”, fãs do Stray Kids, ficaram por lá, e o Sunset acabou virando, de modo geral, estacionamento de pais e alguns filhos. E segundo Zé Ricardo, curador do festival, essa era a intenção.
Afinal, o tempo passa. O grupo, que era descolado e modernoso na época de discos como “Return of the Space Cowboy” (1994) e “Traveling Without Moving” (1996), virou, nesta noite, o headliner de quem era jovem nos anos 90. No mínimo, a média de público era mais adulta que a da multidão no Palco Mundo. A sorte é que um bom groove é atemporal, e até as crianças presentes, por insistência dos pais, provavelmente, estavam dançando. Essa é a fórmula mágica do acid jazz do Jamiroquai, que mescla funk, soul, disco com elementos eletrônicos do house ao hip-hop. Baixo inquieto, percussão apertada, teclas com brilho, e ninguém no público ficou parado.
Jay Kay, hoje com 56 anos, está com vocais ainda melhores que na última década. Cantou faixas como “Don’t Give Hate a Chance” e “Alright” como se fossem a versão de estúdio, e desfilou diferentes adereços de cabeça, claro, algumas coisas nunca podem mudar. Apesar de o Jamiroquai ter mudado a formação ao longo do tempo, a atual está firme há um tempo. Desde a virada dos anos 90 e 2000, o núcleo da banda é praticamente o mesmo: Derrick McKenzie na bateria, Rob Harris na guitarra, Matt Johnson nos teclados, Paul Turner no baixo e Sola Akingbola na percussão e backing vocal.
Nesta noite, eles fizeram tudo soar azeitado, e dá para ver que tiram de letra os grandes sucessos do grupo. Há um papo de que vem aí um álbum novo, que pode ser bem interessante considerando a qualidade da banda. Além deles, o Jamiroquai conta com um trio de habilidosas cantoras, um percussionista brasileiro e outras ótimas adesões. Todos gostam de brincar um pouco antes de revelar qual música vem aí, o que sempre rende uma boa reação da plateia nos clássicos.
Com a ajuda de uma estrutura de luzes e visuais psicodélicos, o Palco Sunset fez as vezes de pista de dança. Nela, Jay Kay dançou “esquisito”, foi à galera, se remexeu sem vergonha de ser travado ao entoar “Cosmic Girl”. Neste dia de exímios bailarinos com coreografia perfeita, o Jamiroquai representou um pouco de espontaneidade. Colocou o público para dançar sem muito roteiro, com liberdade para se soltar como manda a música. No fim, eles sabem que quando o tecladista toca os primeiros acordes de “Virtual Insanity”, não tem pra ninguém.
Rock in Rio é Semana Pop
Siga Luiz Amoasei no Instagram
Conheça a produtora: IdeiaDigital
Conheça a missão do Semana Pop
Lembrando que todo o conteúdo de artigos produzidos por terceiros, não é de responsabilidade do portal Semana Pop.





