Cantora do Mamamoo homenageia as ‘Marias’ da plateia em estreia histórica do k-pop no festival

Ao entrar, ou melhor, desfilar no Palco Mundo nesta sexta-feira, Hwasa virou parte da história do Rock in Rio. Afinal, este é o dia da estreia do k-pop no festival, o que faz dela a primeira artista solo, e primeira mulher, do pop sul-coreano por aqui. Esses marcos combinam com a identidade da cantora: Hwasa se posiciona como uma popstar firme, desbravadora e até feminista para os moldes do k-pop. Integrante do girlgroup Mamamoo, ela consolidou sua carreira solo ao cantar sobre autoestima, empoderamento e sexualidade sem aquela polidez habitual das idols coreanas.
Deu para ver isso logo de cara. Hwasa já entrou com a música que leva o nome dela, seguida da enérgica “Chili”. De microfone ligado, deixou claro que é diva pop old-school: canta bem, dança muito, tem presença de palco e sensualiza um bocado. Ao contrário da maior parte dos artistas que costuma passar pelo Brasil, Hwasa não fala inglês e nem tentou muito. Em vez disso, arriscou um “Nossa” e “Te amo” em português e deixou a maior parte para falar em coreano, com uma intérprete para traduzir. Só nessas horas a gente percebe como é rara uma comunicação entre artista de um país e público de outro que não é intermediada pelo inglês.
“Estava doida para vê-los”, disse. “Gostaria que vocês voltassem muito mais felizes para casa hoje.” Diferente do NEXZ, que tocou mais cedo, Hwasa dispensou as bases instrumentais e ficaram só as dobras de voz. A maior parte das músicas foi tocada por uma boa banda, que encorpou faixas como “I Love My Body” e “Kidding”, com direito a solos de bateria e guitarra. Rolou até uma palhinha para os fãs do Mamamoo, que está em hiato, mas vem dando sinais de que volta em breve. Nesta sexta, o grupo foi representado em um medley que incluiu “Décalcomanie”, “Egotistic” e “HIP”.
A plateia não sabia cantar muita coisa, mas respondia aos gritos, o que serviu. Hwasa soube bem como conversar, até sabia que tinha um nome em comum com muitas brasileiras. “Eu ouvi falar que aqui tem muitas Marias. Maria!”, disse ao introduzir “Maria”, hit que leva seu nome de batismo. O momento foi muito bem recebido pelas Marias, Marias Eduardas, Marias Cecílias e as outras mais na plateia.
Ao final do show, Hwasa fez charme, fingiu que ia encerrar e arrancou um coro de “Eu não vou embora” antes da última faixa. E se despediu pulando com a bandeira do Brasil, para um público extasiado. É assim que se faz uma estreia.
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