Atlântico Sertão: arte decolonial no CCBB SP

Mostra com 70 artistas reimagina o sertão como território de resistência

S/ Título, da série Travessia de retorno, 2022. Márvila Araújo. Foto divulgação

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo apresenta Atlântico Sertão, exposição que reúne mais de 70 artistas de diferentes regiões do Brasil para propor uma leitura do sertão como território ampliado de resistência e defesa dos direitos humanos. A mostra ocupa todos os andares do edifício com pinturas, esculturas, fotografias e instalações que, sob uma perspectiva decolonial, articulam os conceitos simbólicos de “Atlântico” e “Sertão” em uma narrativa crítica sobre espaços historicamente marcados por violência e exclusão.

A curadoria é coletiva, assinada por Ariana Nuala, Marcelo Campos, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade, com direção geral e concepção de Marina Maciel. “O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar diferentes narrativas sobre o país”, explica Ariana Nuala. O projeto expográfico fica a cargo de Gisele de Paula, primeira mulher negra a assinar a expografia da 36ª Bienal de São Paulo, que propõe um percurso imersivo com cores inspiradas na paisagem sertaneja: do verde das vegetações que resistem ao laranja e vermelho vibrantes do pôr do sol.

A exposição está estruturada em seis núcleos curatoriais: Sertão Atlântico (heranças indígenas, africanas e populares), Cosmologias em Movimento (práticas espirituais como forma de leitura do mundo), Ecologias Ancestrais e Futuros da Terra (conhecimento ancestral e preservação ambiental), Comunidade, Retomada e Sertões Negros (oralidade, memória e modos coletivos de vida), Arquivos Vivos, Grafias e Inscrições da Terra (sertão como sistema ativo de registro) e Travessias e Poeiras que Vêm do Saara (conexões geológicas, históricas e culturais entre Brasil e África). Entre os artistas participantes estão Antonio Obá, Ayrson Heráclito, Aline Motta, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Jaime Lauriano, Rosana Paulino e Tunga, entre muitos outros.

A mostra tem raízes no Coletivo Atlântico, movimento social, artístico e jurídico fundado em 2023 a partir de pesquisa de Marina Maciel sobre “Direitos Humanos Achados na Arte”. O coletivo já realizou a exposição Atlântico Vermelho na sede da ONU em Genebra — primeira vez na história que o edifício principal da ONU recebeu uma mostra com artistas afro-brasileiros — e a Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio durante o G20 em 2024. Como desdobramento prático, o grupo articulou ainda a minuta do Projeto de Lei nº 1.928/2024, que visa regulamentar a profissão de artista visual no Brasil.

Atlântico Sertão foi selecionada no Edital CCBB 2026–2027 e viabilizada pela Lei Rouanet, com apoio da OEI, do Instituto Guimarães Rosa e do MAR. Após a temporada paulista, a exposição segue para o CCBB Salvador em setembro e para o CCBB Brasília no início de 2027.

SERVIÇO
Exposição: Atlântico Sertão
Local: CCBB São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Data: Até 3 de agosto de 2026
Horário: das 9h às 20h, exceto às terças
Gratuito

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