DJ lança música com grupo coreano, apresenta projeto ‘Keep Art Human’ com 45 bailarinos e conquista plateia com drones

Alok recebeu a missão de ser ensanduichado por atrações de K-pop, a cantora Hwasa e o grupo Stray Kids, no primeiro dia do Rock in Rio dedicado ao pop coreano. Não foi um problema para o DJ goiano de 35 anos, que ainda teve como trunfos o lançamento de um feat com o grupo Twice, outro nome forte do K-pop, e um medley de funk carioca com “Rap da Felicidade” e “Nova Geração”.
“A resposta está aqui”, disse Alok, ao falar sobre quem duvidou que o show dele faria sentido na primeira noite de K-pop da história do festival. “Não se importem com o julgamento das pessoas mais chatas do mundo. Sejam vocês mesmas.” Além da nova parceria e dos hits funkeiros, a plateia desta sexta-feira recebeu muito bem o show “Keep Art Human”, que havia estreado na edição do ano passado do festival californiano Coachella.
O projeto foi pensado para festivais de grande porte como o Rock in Rio, com 45 bailarinos coreografados pelo grupo italiano Urban Theory. O palco funciona com painéis de LED e com o balé integrados à narrativa de “manter a arte humana” e aproveitar cada segundo da vida. Os fãs seguiram esse conselho sobretudo em trechos de hits próprios como “Don’t Say Goodbye” e “Fuego”, com labaredas de fogo, é claro. A performance do grupo de dança se encaixa nos beats das músicas, e o impacto visual é ainda maior do que o show de luzes, lasers e outros aparatos geralmente usados por Alok.
Além do grupo de dança, o cantor Zeeba participou do hit do assobio “Hear Me Now”. Alok apresentou seu maior sucesso com os dois filhos no colo e deixou o parceiro tocar versões piano e voz de “Ocean” e “Never Let Me Go”. Em sua segunda vez no Rock in Rio, ele também teve a seu serviço 1.500 drones, que formaram imagens como uma cabeça gigante de androide e uma nave. O recurso funcionou: muitos tiraram o olhar do palco e usaram os celulares para gravar as figuras no céu.

“Tudo hoje em dia está no lance dessa ideia da inteligência artificial, até onde vão os limites. Falam que ela vai dominar a indústria musical também. A gente fica nessa discussão: será que para fazer arte não precisa de uma alma para tocar outras almas?”, explicou Alok ao g1, no lançamento do projeto. O DJ já definiu seu som como “free spirit”, com arranjos e ideias que não se limitam a subestilos da música eletrônica com os quais já foi rotulado, como dance pop ou EDM.
Essa mistura de sons agradou os fãs de Stray Kids, maioria do público de 100 mil pessoas que esgotou os ingressos desta sexta de Rock in Rio. O único comentário negativo de parte dos fãs foi que queriam ver mais closes de Alok no telão. De fato, algumas vezes coube ao intérprete de Libras reger o mar de mãos para cima, quando todo mundo esperava que Alok fosse o responsável por essa tarefa.
Neste sábado, Alok volta ao festival e se apresenta no New Dance Order, palco de música eletrônica, com outro projeto, o Rave the World, uma volta às raízes que exalta a cultura das raves. Os pais do DJ são criadores da Universo Paralello, festa de música eletrônica surgida nos anos 2000, à qual Alok deve sua formação. E muitas crianças tiveram o primeiro contato com esses sons nesta noite.
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