Alicerces: a arte de Andrey Zignnatto chega a SP em maio

Exposição individual reúne dez anos de produção entre ancestralidade e construção urbana

Obra: Alicerce II, 2026_Cerâmica e concreto_68,5x93x25cm_Foto Filipe Berndt

A partir do dia 23 de maio, a Janaina Torres Galeria recebe Alicerces, exposição individual de Andrey Guaianá Zignnatto que marca também a primeira década da galeria. Com curadoria de Alexandre Araujo Bispo, a mostra apresenta um recorte inédito de dez anos da produção do artista paulista — de origem indígena Dofurêm Guaianá e Guarani, e italiana — cujas obras integram coleções de instituições como o Museu Reina Sofia (Espanha), o PAMM (EUA) e o Museu de Arte do Rio.

A proposta curatorial é ao mesmo tempo radical e estruturante: a exposição toma o espaço bruto da galeria, sem cenografia, apostando no cubo branco como elemento de confronto entre a arquitetura do lugar e obras carregadas de simbolismo construtivo. Carrinhos de mão, tijolos amassados, ferramentas de pedreiro e chassis amalgamados ao cimento compõem essa primeira camada de diálogo — entre o vernacular e o contemporâneo, entre o utilitário e o poético.

Andrey transita entre o concretismo e o neoconcretismo, manipulando materiais como barro, tijolo baiano, urucum, cerâmica, jenipapo e missangas para propor, segundo o curador, “negociações espaciais, físicas e temporais para a construção coletiva de novos sentidos”. A escolha de cada material é intencional: carrega em si um simbolismo diretamente ligado às pesquisas do artista sobre identidade, ancestralidade e territorialidade.

Entre as experiências que alimentam essa poética está a vivência do artista na construção civil — dos 10 aos 14 anos, trabalhou como servente de pedreiro ao lado do avô. No outro extremo, está a reaproximação com suas origens indígenas: em 2025, coordenou o projeto Hãive Rumeroro, na zona leste de São Paulo, que resultou na reconstrução de uma aldeia Guaianá depois de quase cem anos de sua destruição dentro da cidade. Obras inéditas inspiradas nessa experiência também estarão em Alicerces.

Um dos destaques da mostra é Bicho Brabo (2022), que relê a célebre obra Bicho de Lygia Clark: no lugar do metal articulado, Andrey utiliza uma placa de demarcação territorial indígena da FUNAI, dobrada como o original, mas em PVC rígido. O gesto sintetiza bem o que a exposição propõe — subverter referências basilares da arte brasileira ao inscrever nelas uma perspectiva indígena, deslocando o fazer manual do campo utilitário para o campo da fruição artística e do pensamento crítico.

Serviço
Exposição individual Alicerces, de Andrey Guaianá Zignnatto
Vernissage: 23 de maio, das 14 às 18h.
Período de visitação: De 23 de maio a 25 de julho.
Dias e horários de visitação: Terça a sexta, das 10h às 18h e sábados, das 10h às 16h.
Local: Janaina Torres Galeria
Endereço: R. Vitorino Carmilo, 427 – Barra Funda, São Paulo – SP, 01153-000
Grátis
Faixa etária: livre
Possui acessibilidade para cadeirantes

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