Festival acontece de 11 a 21 de novembro com tema ‘Todos os Futuros Possíveis’

Com o tema “Todos os Futuros Possíveis”, que aponta para transformações, misturas, rompimento de padrões e abertura de espaço para novas possibilidades, o 34º Festival MixBrasil, um dos maiores eventos culturais LGBTQIA+ da América Latina, acontece de 11 a 21 de novembro, em 14 espaços culturais de São Paulo e três plataformas digitais. Sob a direção geral de André Fischer e a direção de programação de cinema de Marcio Miranda Perez, o MixBrasil reúne 138 filmes e duas séries, provenientes de 30 países e 12 estados brasileiros, além de teatro, literatura, games, festas, performances e o tradicional Show do Gongo. A programação inclui ainda a mostra Queer.IA e as atividades de mercado e indústria do MixLab Spcine. “Recebemos inscrições de quase mil filmes, sendo 690 brasileiros, dos quais 93 longas e médias-metragens, um recorde na história do festival”, destacam os diretores.
O 34º Festival MixBrasil abre em 11 de novembro, para convidados, com entrega do Prêmio Ícone Mix a João Silvério Trevisan, escritor, cineasta, dramaturgo e ativista dos direitos humanos, reconhecido por sua contribuição à cultura brasileira e à história do movimento LGBTQIA+, e a première nacional de “Eu Vou Ter Saudades de Você”, longa brasileiro com elenco 100% trans dirigido por Daniel Ribeiro. O filme acompanha Amanda e Caio, um casal trans que compartilha há sete anos amor e sonhos. Quando decidem morar juntos, porém, as diferenças entre os dois começam a pesar. Enquanto Caio, romântico e sonhador, busca estabilidade na rádio onde trabalha, Amanda, ambiciosa e pragmática, concentra-se na carreira jurídica recém-iniciada. A homenagem a João Silvério Trevisan celebra uma trajetória profundamente ligada à história e aos valores do MixBrasil: em 1995, o evento exibiu pela primeira vez em público “Orgia ou o Homem que Deu Cria” (1970), filme censurado pela ditadura militar e marco do cinema queer brasileiro.
A seleção de longas-metragens do Panorama Internacional reúne filmes de cineastas que passaram por Cannes, Berlim, Sundance, Tribeca, San Sebastián, Locarno e Veneza. Entre os destaques estão o espanhol “A Bola Preta”, de Javier Calvo e Javier Ambrossi, apontado como um dos favoritos ao Oscar de Melhor Filme Internacional de 2027 e com primeira exibição em São Paulo; o americano “Barbara Forever”, de Brydie O’Connor, vencedor do Prêmio Teddy de Melhor Documentário no Festival de Berlim; e o belga “Covarde”, de Lukas Dhont, cujos dois protagonistas receberam o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. A programação traz ainda o australiano “Leviticus: Ritual de Sangue”, de Adrian Chiarella, eleito melhor filme de estreia no Frameline, em São Francisco; a animação queer francesa “Jim Queen”, que estreia no MixBrasil a sua versão dublada em português, com vozes de Leonardo Miggiorin e o cantor Johnny Hooker; o americano “Algo Que Você Deveria Saber Sobre Mim”, de Andy Fidoten, exibido em Tribeca e com produção executiva de Lilly Wachowski; e o francês “Parada Noturna”, de Pierre Le Gall, Queer Palm Revelação no Festival de Cannes.
A Mostra Competitiva Brasil de Longas reafirma a potência do cinema queer brasileiro com títulos que vêm se destacando em importantes festivais nacionais e internacionais. A seleção inclui “A Margem do Rio”, de Enock de Carvalho e Matheus Farias, vencedor do Prêmio Especial do Júri em Locarno; “A Professora de Francês”, de Ricardo Alves Jr., selecionado para o Festival de San Sebastián; “As Aparências Enganam”, de Sabrina Greve e Luciano Patrick, que faz sua première mundial no MixBrasil; “Eu Vou Ter Saudades de Você”, de Daniel Ribeiro, integrante da seleção oficial do BFI Flare; e “London”, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, vencedor do Queer Lion no Festival de Veneza. Completam a competição “Não Estamos Sonhando”, de Ulisses Arthur, eleito melhor longa da Mostra Novos Rumos do Festival do Rio; “Olhe para Mim”, de Rafhael Barbosa, premiado pela direção no Olhar de Cinema, em Curitiba; “Pequenas Tragédias”, de Daniel Nolasco, que teve direção, montagem e atuações premiadas no Festival de Brasília; “Privadas de Suas Vidas”, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner, eleito melhor filme da mostra Compétition AQCC no Fantasia, no Canadá; e “Sabes de Mim, Agora Esqueça”, de Denise Vieira, premiado como melhor filme de estreia no FID Marseille.
Já a Mostra Competitiva Brasil de Curtas reúne 16 filmes que percorrem o Brasil revelando as tendências do cinema LGBTQIA+ contemporâneo, com destaque para o envelhecimento e a descoberta de novas possibilidades de afeto, desejo e liberdade em diferentes fases da vida. Entre os destaques estão “Morfeu & Caronte”, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr., eleito melhor curta de ficção no Frameline, em São Francisco; “Santo”, de Maria Luísa Alves, Troféu Redentor de melhor curta no Festival do Rio; e “Mulher Papaya”, de Camila Tarifa, escolhido como melhor roteiro e melhor filme pelo Júri da Crítica em Gramado. A seleção conta também com as estreias mundiais de “Sandra Roque”, de Mayara Santana, com Bruna Linzmeyer no elenco, e “Romântica”, de Leonardo Amorim.
Na mostra experimental Reframe, oito longas, médias e curtas concorrem juntos ao Coelho de Prata de Melhor Contribuição Artística, incluindo “A Paixão Segundo G.H.B.”, de Gustavo Vinagre e Viva Couto, “Aquiles era um Twink”, de Henrique Domingues, “O Evangelho Segundo Lilith”, de Marce Spillere, e “Pirexia”, de Nico da Costa. Já o Queer.Doc, mostra de documentários do MixBrasil que pela primeira vez se torna competitiva, inclui “Darcy Faz 100 Anos”, de Lufe Steffen, “Afrontosa”, de Coraci Ruiz e Julio Matos, “Ney Por Trás das Máscaras”, de Esmir Filho, e “Rita Moreira: Crônicas, Memórias e Videotape”, de Sérgio Santos Barroso, com os filmes nacionais concorrendo junto com os longas documentais do Panorama Internacional ao Coelho de Prata de melhor documentário do festival. Em 2026, o Mundo Mix, seção dedicada à produção audiovisual queer de diferentes países, tem a Alemanha como foco, marcando os 75 anos das relações entre Brasil e Alemanha e do Goethe-Institut, com uma retrospectiva com sete filmes do cineasta Rosa von Praunheim, pioneiro do cinema queer. A programação audiovisual inclui ainda as seções Pop Mix, com a estreia mundial de “Alice Júnior Férias de Verão”, de Gil Baroni; Séries Mix, destacando as séries sáficas “Amora”, de Juliana Rojas, e “Não Costumo Me Apaixonar por Telefone”, de Eve Consendey; e a mostra Curtas MixBrasil, com programas temáticos como “Queer Futurismo Brasil”, “Juventudes Corsárias” e “Lesborama”, incluindo títulos nacionais como “América”, de Aly Muritiba, e “Futuro Decadance”, de Leviathan, e curtas estrangeiros celebrados como o italiano “A Moto”, de Matteo Giampetruzzi, selecionado para a Semana Internacional da Crítica de Veneza, e “Tremores”, de Louise Chauvet, selecionado para Viena, Chéries-Chéris e Clermont-Ferrand.
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