Trio de São Gonçalo estreia no festival com suíngue, samba miudinho e black music

São Gonçalo (RJ) estava muito bem representado no Palco Sunset no comecinho da noite desta sexta-feira. Em sua estreia no Rock in Rio, Os Garotin levaram ao festival a energia do baile black entranhada na origem do trio fluminense que, em sete anos, transformou Anchietx, Cupertino e Léo Guima em alguns dos nomes mais interessantes da nova música brasileira.
Elegantérrimos, eles entraram no palco usando óculos escuros e trajes de alfaiataria brilhosos ao som de “Garota”, faixa do disco “OS GAROTIN DE SÃO GONÇALO” (2024). Em cima do palco, uma estrutura com escadaria inteira coberta de glitter prateado recebia a banda de 10 músicos, enquanto projeções nos telões simulavam gradios em ouro. O trio se juntou em 2019, no aniversário de Cupertino, e pouco depois deslanchou na carreira com muito esforço e com a bênção de Paula Lavigne.
O primeiro EP, “Os Garotin Sessions”, veio em 2023 e trouxe o sucesso “Zero a Cem”, música que os projetou ao grande público. No Rock in Rio, o coro da faixa foi o mais alto. No ano seguinte, “Os Garotin de São Gonçalo” rendeu ao grupo o Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa. Eles tocaram ainda músicas como “Nossa Resenha” e “Soul Brasileiro”, faixa gravada com Lenine e Hamilton de Holanda.
A dama que roubou a noite foi Duquesa. Ela apareceu deslumbrante após vinte minutos de apresentação, declamando os versos “Eu nasci para ser artista, se eu quisesse era uma golpista. Eu não posso ficar quieta, eu não vou morrer falida”, da faixa “Big D!!!!!” (2023). Usando um colar cravejado de pedras e se equilibrando no salto alto, a conhecida realeza do rap cruzou rap, pop e R&B em letras sobre autonomia feminina e liberdade sexual, como em “Voo 1360”.

A curta participação de Duquesa foi um dos momentos em que o público mais vibrou. Ela deixou o palco após duas músicas. “Calma que ela volta, gente”, tentou amenizar Os Garotin. Baiana de Feira de Santana, a rapper começou profissionalmente na música no mesmo ano que eles, também em 2019, e já se tornou um dos principais nomes do hip-hop brasileiro. Ela voltou no finzinho do show apenas para cantar “Queda Livre”, deixando no ar a sensação de que deveria ter passado muito mais tempo.
O encontro colocou lado a lado dois artistas de uma mesma geração: sagaz, interessante, que tem o que dizer e que não pede licença para dizer. O grupo fluminense parte agora com a turnê “A Força da Juventude” para cidades como Paris, Berlim, Londres, Lisboa e Madri. “Ser jovem não tem nada a ver com idade”, explicaram antes de deixar o palco.
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