Espetáculo expões violências contra bailarinas negras

Peça-instalação aborda racismo e memória na dança clássica

A Bailarina Fantasma / Foto: Noelia Najera

O Itaú Cultural recebe, entre os dias 9 e 12 de julho, a peça-instalação A Bailarina Fantasma, protagonizada pela performer Verônica Santos. Com dramaturgia de Dione Carlos e encenação de Wagner Antônio, o espetáculo propõe uma experiência imersiva que tensiona os apagamentos raciais na dança clássica a partir de relatos autobiográficos.

Inspirada na escultura A Bailarina de 14 anos, de Edgar Degas, a obra estabelece um diálogo entre a tradição europeia do balé e as vivências de Verônica como bailarina negra. Em cena, a artista expõe violências físicas e simbólicas enfrentadas ao longo de sua trajetória, transformando o palco em um espaço de reflexão e enfrentamento.

A proposta rompe com o formato tradicional de teatro ao transformar o espetáculo em uma instalação cênica. O público não possui assento fixo e acompanha a performance em deslocamento, observando diferentes perspectivas do percurso da artista, que constrói ao vivo um ritual atravessado por memória, dor e resistência.

A experiência intimista também se reflete na capacidade reduzida da sala, com apenas 50 pessoas por sessão. Os ingressos são gratuitos e distribuídos uma hora antes de cada apresentação, exclusivamente na bilheteria física do Itaú Cultural, seguindo a política da instituição de acesso democrático à cultura.

As sessões acontecem de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos e feriado, às 18h. Em dias de jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo, a programação pode sofrer alterações, com possibilidade de cancelamento da sessão do dia 11 de julho, caso o Brasil avance na competição.

A Bailarina Fantasma / Foto: Noelia Najera

Idealizado por Fernando Gimenes e pela Plataforma Estúdio de Produção Cultural, o espetáculo convida o espectador a participar ativamente da construção narrativa, acompanhando o deslocamento da performer e suas interações com o espaço e com as memórias evocadas.

Verônica Santos, fundadora da Corpórea Companhia de Corpos, desenvolve pesquisas voltadas ao corpo negro feminino, enquanto Dione Carlos traz sua reconhecida trajetória na dramaturgia contemporânea, com trabalhos premiados no Brasil e no exterior. A encenação de Wagner Antônio complementa a proposta ao integrar luz, som e vídeo em uma linguagem performativa.

Ao propor uma experiência sensorial e política, A Bailarina Fantasma amplia o debate sobre representatividade na dança e convida o público a refletir sobre as estruturas que historicamente invisibilizam determinados corpos no cenário artístico.

SERVIÇO
A Bailarina Fantasma
Com Verônica Santos. Dramaturgia: Dione Carlos
De 9 a 12 de julho (quinta-feira a sábado, às 20h, e domingo e feriado às 18h)
No dia 9, feriado estadual do Dia da Revolução Constitucionalista de 1932, a sessão será às 18h.
Caso o Brasil avance para as quartas de final da Copa do Mundo, não haverá sessão no dia 11 de julho.
Confira a classificação indicativa no site do Itaú Cultural  www.itaucultural.org.br
Para esta temporada, os ingressos serão distribuídos para o público 1 hora antes do início da sessão, por ordem de chegada, na bilheteria física do Itaú Cultural.

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