Escritor explora identidade e deslocamento em sua primeira obra de narrativa curta

Após quatro livros de poesia e um de crônicas, o escritor Cesar Garcia Lima lança Se você não tem paz interior então você vem aqui pra capital (Editora 7Letras), sua estreia na ficção em prosa. A obra reúne doze contos que exploram a alteridade, o deslocamento e a busca por pertencimento de personagens excêntricos, em narrativas que transitam do centro urbano à mitologia grega e do homoerotismo à intertextualidade literária. A orelha é assinada pelo poeta e tradutor Ruy Proença, que descreve o conjunto como um “caleidoscópio de cenas urbanas”.
O ponto de partida da coletânea é uma nota de cruzeiro encontrada pelo autor quando morava no centro de São Paulo, nos anos 1990. A cédula com a frase que dá título ao livro aparece no conto de abertura, Escrito no dinheiro, em que o personagem Lázaro transita pela Ladeira da Memória, o Viaduto do Chá e o Anhangabaú enquanto troca de identidade. Nos demais contos, a coletânea percorre territórios igualmente instigantes: um ex-padre e uma enfermeira se encontram em Nossa Senhora de Copacabana com Santa Clara; Dédalo narra o voo fatal do filho em As ilhas de Dédalo; e Macabéa reaparece diante de um reality show em O show da estrela.
A coletânea não adota uma única forma narrativa: há contos tradicionais, textos com traços de fábula, narrativas ensaísticas e poemas em prosa. A formação poética do autor — que assina obras como Trópico de papel (2019) e Bastante aos gritos (2021) — imprime à prosa uma linguagem econômica e imagética. Os diálogos intertextuais são múltiplos: mitologia grega, Clarice Lispector, Anton Tchékhov, a poesia francesa e a Bíblia atravessam os textos, deslocando figuras clássicas para o caos urbano contemporâneo.
Nascido em Rio Branco, no Acre, e com passagens por São Paulo, Paris e Europa, Cesar vive no Rio de Janeiro desde 1995, onde atuou como jornalista e depois como pesquisador acadêmico. Doutor em Literatura Comparada pela Uerj, é também fundador da produtora cultural Voo da Palavra e diretor do documentário Soldados da Borracha (2010). Essa trajetória entre Amazônia, Sudeste e Europa reverbera diretamente na percepção aguçada de deslocamento que atravessa todos os contos da obra.
Site oficial: www.cesargarcialima.com.br
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