Viagem “Grande Sertão: Veredas” leva leitores ao Cerrado

Jornada da NomadRoots acontece de 20 a 24 de maio e propõe imersão no universo rosiano

Crédito: Divulgação

Publicado em 1956, “Grande Sertão: Veredas” ocupa um lugar singular na literatura brasileira ao transformar o sertão em matéria literária de alcance universal. Setenta anos depois, a obra de João Guimarães Rosa segue provocando leitores não só pela força da linguagem, mas pela experiência de atravessamento que oferece: uma reflexão profunda sobre conflitos, afetos, ambiguidades e escolhas que definem a condição humana.

É nesse espírito que acontece a viagem em grupo “Grande Sertão: Veredas”, entre os dias 20 e 24 de maio, realizada pela NomadRoots, produtora de viagens com conhecimento que desenvolve jornadas imersivas a partir da literatura e da cultura. Inspirada no universo rosiano, a proposta articula livro, paisagem e presença, convidando participantes a se aproximarem do sertão não apenas como geografia, mas como experiência sensível e simbólica.

O percurso inclui áreas do Parque Nacional Grande Sertão: Veredas, com acesso por caminhos exclusivos a partir da Pousada Trijunção, que ficará reservada apenas para o grupo. Localizada no encontro entre Goiás, Minas Gerais e Bahia, a pousada ocupa um ponto singular do território brasileiro — um cruzamento de fronteiras que, na prática, ajuda a dissolver o cotidiano e abrir espaço para escuta, contemplação e reencontro.

A jornada começa em Brasília, não apenas como ponto de partida logístico, mas como contraste que prepara para o que espera no coração do Cerrado. Ao chegar à Trijunção, o tempo desacelera: caminhadas, pausas, leituras e conversas passam a se construir em diálogo com o ambiente natural e com os modos de vida do bioma, apresentados também por guias especialistas que revelam camadas da paisagem que não se mostram à primeira vista.

Para quem retorna em mais de uma edição, a vivência não se repete — se renova. O professor e escritor Chico Escorsim destaca que o sertão nunca se apresenta da mesma forma, e quem caminha também não: luz, clima e hora do dia transformam o cenário, mas a experiência muda sobretudo conforme o estado interior de cada pessoa. Já a jornalista Rafaella Silva observa que o livro permanece presente, porém não como algo a ser “explicado”: ele aparece nos intervalos, nas conversas espontâneas e nos detalhes do caminho, em compreensões que só emergem quando o corpo está em movimento.

Desde 2021, a experiência reúne grupos reduzidos de leitores em encontros marcados pela escuta e pelo contato direto com o território. Em 2026, a viagem ganha ainda mais densidade por coincidir com os 70 anos do romance — momento em que a obra volta ao centro do debate cultural com novas edições, estudos críticos, projetos cênicos e o lançamento de uma ampla biografia de Guimarães Rosa.

Literatura é Semana Pop
Siga Luiz Amoasei no Instagram
Conheça a produtora: IdeiaDigital
Conheça a missão do Semana Pop
Lembrando que todo o conteúdo de artigos produzidos por terceiros, não é de responsabilidade do portal Semana Pop.

Compartilhe :

Deixe seu comentário

Deixe um comentário