Cinemateca Brasileira abre diálogo sobre automação e precarização laboral

Entre os dias 1 e 5 de abril, a Cinemateca Brasileira realiza a mostra Trabalho em Transe, com curadoria de Roberto Gervitz, propondo um exame crítico das profundas mudanças ocorridas na sociedade, em especial na experiência do trabalho, entre as fábricas de linha de montagem clássica e o cenário atual de automação e robotização. A seleção traz uma programação de ficções e documentários de realizadores de diferentes partes do mundo, veteranos e novos nomes, oferecendo um olhar sobre como a antiga alienação industrial se transformou em um ambiente de trabalho em que o “trabalho vivo” se torna invisível, e a tecnologia, em vez de libertar o trabalhador, aprofunda sua desumanização.
A partir dessa genealogia, a mostra analisa o desmantelamento de conquistas históricas dos movimentos sindicais e organizados, que outrora garantiram direitos, renda mínima e solidariedade no chão de fábrica, e acompanha a ascensão do modelo em que o trabalhador é tratado como “empreendedor de si mesmo”, sobretudo no Sul Global. Nesse contexto, a jornada se fragmenta, a estabilidade se desfaz e a resistência coletiva se vê atolada em condições de trabalho precário, intermitente e intensamente flexibilizado, em que o próprio corpo e o tempo humano servem como matéria-prima principal. A mostra quer, dessa forma, atrair o espectador para uma pausa sobre como essa nova vivência da passagem do tempo molda subjetividades e relações sociais.
Além das sessões, a programação conta com palestras de pensadores como Paulo Arantes, Ruy Braga, Ricardo Antunes e Carlos Augusto Calil, que ampliam o debate sobre trabalho, capital, tecnologia e subjetividade. As reflexões teóricas dialogam diretamente com os filmes apresentados, oferecendo ao público ferramentas conceituais para ler as imagens e as situações que se desenrolam nas telas. A mostra é aberta ao público em geral, com entrada gratuita, e os ingressos serão distribuídos na bilheteria da Cinemateca uma hora antes de cada sessão, numa prática que reforça o caráter de acesso democrático à cultura e à crítica social.
CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana
Horário de funcionamento
Espaços públicos: de segunda a segunda, das 08 às 18h
Salas de cinema: conforme a grade de programação.
Biblioteca: de segunda a sexta, das 10h às 17h, exceto feriados
Sala Grande Otelo (210 lugares + 04 assentos para cadeirantes)
Sala Oscarito (104 lugares)
Área externa (300 lugares)
Retirada de ingresso 1h antes do início da sessão
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