Thiago Espírito Santo aprofunda raízes em “Ybirá”

Novo disco conecta baião, choro, jazz e experimentação em viagem sonora pelo sertão e o coração

Divulgação

O multi‑instrumentista, compositor e produtor Thiago Espírito Santo lança, em 20 de fevereiro, o álbum Ybirá, um trabalho que se constrói na confluência entre ancestralidade, memória afetiva e inovação musical. O disco reafirma o artista como um dos nomes mais singulares da música instrumental brasileira contemporânea, ampliando a paleta de referências e a sensibilidade para o duelo entre tradição e experimentação. Composto por 10 faixas inéditas, o projeto se desenvolve a partir de um conceito forte: o de árvore, em tupi‑guarani, título que dá nome ao álbum.

O pai de Thiago, Arismar do Espírito Santo, figura central de sua referência musical, atravessa o disco como uma presença quase fenomenológica. Mestre multi‑instrumentista, compositor e improvisador, o artista deixou um legado de generosidade, técnica e ousadia que moldou desde cedo a sensibilidade do filho. Em Ybirá, cada faixa funciona como um ramo de árvore, ligado a raízes profundas: a tradição da música brasileira, o legado familiar, o lirismo de Dominguinhos, a inventividade de Hermeto Pascoal e a musicalidade expansiva de Arismar. O álbum surge, então, como um gesto de continuidade, memória e expansão, onde passado e presente se combinam em movimento constante.

As composições transitam por baião, choro, improvisação, jazz e música experimental, sem se prender a fronteiras de gênero, apenas guiadas por uma identidade própria. Sob a metáfora da árvore, as raízes representam a ancestralidade, a família e a cultura popular; o tronco, a formação e a identidade sonora de Thiago; os galhos, as referências variadas e os diálogos com o jazz e o mundo eletrônico; e os frutos, as peças inéditas que se transformam em patrimônio sonoro. Esse conceito estrutural se reflete na maneira como as faixas se desdobram: ora delicadas e líricas, ora turbulentas e expandidas, sempre com forte presença de ritmo e textura.

O disco é gravado de forma essencialmente instrumental, em São Paulo, no estúdio BRC, com engenharia de som de Luís Paulo Serafim, que também assina mixagem e masterização. Ao lado de Thiago, que toca baixo, guitarra, violão, escaleta e percussão, estão músicos como Alex Buck (bateria), Bruno Cardoso (piano), Jota P. (flauta e saxofone) e Morgana Moreno (flauta), além das vozes de Laura Pompeo, que aportam camadas melódicas e narrativas aos arranjos. O resultado é um som denso, orgânico e, ao mesmo tempo, acessível, capaz de dialogar tanto com fãs de música erudita quanto com o público da música popular brasileira.

Ao eleger o título Ybirá, Thiago Espírito Santo entrega um mapa de leitura para o ouvinte: o disco é um convite para se instalar na sombra da árvore, reconhecer as raízes e observar os galhos que se abrem para o mundo. Em um cenário de forte efervescência da música erudita e experimental no Brasil, Ybirá se posiciona como um trabalho de consolidação, em que o artista dá nome e forma a própria identidade, sem perder a conexão com o sertão, com o baião e com o lirismo de quem entende a música como memória viva. O álbum é, ao mesmo tempo, um olhar para trás e um passo em direção ao futuro.

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