Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, soprano unifica recital e narrativa histórica

A soprano do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Georgia Szpílman, apresenta no mês em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher “Um Encontro com Chiquinha Gonzaga”, espetáculo que leva a obra e a trajetória da compositora Chiquinha Gonzaga a um novo espaço de Botafogo, na zona sul carioca: o Acaso Cultural. O projeto combina recital, narrativa histórica e bate‑papo com o público em um formato intimista, destacando a figura de Chiquinha como pioneira da música popular no Brasil e símbolo de coragem, independência e inovação artística.
Interpretado por Georgia Szpílman, o espetáculo funciona como homenagem musical e cênica à vida e à carreira da Maestrina, desde os desafios enfrentados em uma sociedade conservadora no século XIX até sua consolidação como uma das maiores compositoras do país. Entre canções como valsa, polca, tango brasileiro, marchinha e choro, a soprano compartilha comentários contextualizados que aproximam o público de momentos marcantes da trajetória de Chiquinha, reforçando seu papel de quebra‑beses em um universo artístico e social altamente patriarcal. O elenco musical é reforçado por Maria Luisa Lundberg ao piano e por Moisés Santos, 1º clarinete da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que ajudam a construir um acompanhamento sofisticado e expressivo para o repertório.
A montagem é também resultado de uma imersão prolongada da artista na história de Chiquinha. Há mais de uma década, Georgia teve acesso ao livro “Chiquinha Gonzaga: Uma história de vida”, da escritora Edinha Diniz, biógrafa oficial da maestrina, e se envolveu profundamente com essa trajetória. A partir do contato com a própria biógrafa — que revelou fatos e nuances que não puderam entrar no livro —, a soprano passou a elaborar um relato mais matizado, com detalhes que ela escolhe trazer de forma sutil em cada apresentação, ajustando‑os ao contexto do público. Para Szpílman, Chiquinha representa a própria ideia de resistência e de força feminina, e cada concerto é uma forma de manter viva a memória de uma mulher que ousou romper normas, tanto na vida privada quanto na cena musical.
“Confesso que em muitos momentos busquei pensar como ela. E em meu trabalho procuro ousar, rompendo com padrões e não cedendo às pressões do status quo. A cada concerto nestes 10 anos é como se ela estivesse viva. E vejo no olhar do público uma curiosidade sobre sua vida, quando conto suas histórias e uma certa cumplicidade. Já se foram 90 anos da sua morte, mas sua música está aí viva e ainda provocando”, afirma a soprano. Com duração aproximada de uma hora, “Um Encontro com Chiquinha Gonzaga” oferece uma experiência que alia música, história e emoção, reafirmando a importância de preservar e valorizar figuras centrais da cultura nacional, especialmente neste contexto de celebração das mulheres.
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