Single delicado nasce de lembrança afetiva e antecipa o disco Pra Ninar o Fim do Mundo

Foi num momento de solidão e ternura que Chris Barea, um dos vocalistas da banda brasiliense Saci Wèrè, criou a melodia de Manguinha, segundo single do álbum Pra Ninar o Fim do Mundo e parceria com a pernambucana Flaira Ferro. A canção nasce de uma lembrança simples: uma manhã de visita dos sobrinhos em época de manga, transformada em música enquanto o artista conciliava dois empregos, como garçom e monitor de História. Entre o cansaço e o afeto, a faixa captura essa mistura de “solidão e ternura” que o compositor associa à saudade.
Inspirado ao ouvir Acabou Chorare, dos Novos Baianos, Chris desabou em lágrimas ao lembrar da falta de convívio com os sobrinhos e, com o violão nas mãos, encontrou em um Dó maior a base para a melodia singela de Manguinha. A letra curta funciona como fotografia de um momento comum – comer manga com as crianças – que ganha peso emocional justamente pelo que carrega de memória e delicadeza. Gravada inicialmente no celular como um “mantra”, a ideia ficou guardada até se tornar o coração afetivo do novo disco.
A parceria com Flaira Ferro surgiu de uma identificação artística e afetiva: primeiro veio a admiração pelo trabalho da pernambucana, depois a amizade, até o convite para participar de uma faixa do álbum. Inicialmente chamada para outra música, Flaira escolheu Manguinha, que dialoga com o universo de seu álbum AUÁ, marcado por uma visão delicada sobre feminismo e amor. A interpretação de Flaira, descrita por Chris como “visceral e delicada ao mesmo tempo”, dá cor e vida à canção, que ele considera uma verdadeira “pérola”.
Manguinha se soma a Tempo Bom, parceria com o também pernambucano Martins, lançada em abril e já disponível nas plataformas com clipe gravado no Lago Paranoá, em Brasília, ambas integrando o repertório de oito faixas de Pra Ninar o Fim do Mundo. Se o álbum faz uma crítica bem-humorada à modernidade, ironizando bilionários e o mito do progresso, Manguinha surge como um “respiro” e uma esperança quase inocente dentro do conjunto. Nas palavras de Chris, é a faixa que “mais nina” do trabalho, apontando para o afeto como força que sustenta a vontade de seguir em tempos difíceis.
Com produção musical, mixagem e masterização de Samuel Mota, arranjos de Dila e Mansur JP e capa ilustrada por Bruna Daibert, a canção reforça o cuidado da banda com a dimensão visual e sonora do projeto. Manguinha é lançada pelo selo Batedeira Cultural, com produção de Paula Rios e patrocínio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura do DF. A faixa já está disponível em todas as plataformas de streaming e apresenta mais uma faceta da Saci Wèrè, formada por Abacate (violão e coro), Amanda Duarte (voz e percussões), Chris Barea (voz e percussões), Danilson Oliveira (baixo), Fernando Mazzoni (bateria e percussão), Gui Campos (guitarra e coro) e Hélio Devadatta (percussão e coro).
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