Soberana Ziza investiga ancestralidade negra no Centro Cultural São Paulo

A artista Soberana Ziza desenha um percurso pelas raízes do samba paulista na exposição Território de Permanência, em cartaz no Centro Cultural São Paulo. Com curadoria de Renata Felinto, a mostra reúne desenhos, trabalhos em tecido e registros audiovisuais a partir de uma pesquisa sobre as matrizes do samba no interior e na capital de São Paulo. Ao conectar o samba de bumbo e o samba de umbigada às festas populares e aos bailes negros, Ziza evidencia como tradições afro‑brasileiras se deslocam, se reinventam e permanecem atuantes ao longo do tempo.
Em sua investigação, a artista dialogou com mestres e mestras do samba em cidades como Piracicaba, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba, Tietê e São Paulo, aproximando‑se também da própria história familiar, com origem em Piracicaba. A exposição, então, amplia camadas de leitura, atravessada por narrativas negras e femininas, heranças matriarcais e memória ancestral. Ao revisitar essas manifestações, Ziza vincula a história íntima à história coletiva, demonstrando como o samba e o cotidiano dos bailes se entrelaçam com a organização comunitária e a mobilidade social de famílias negras.
Um dos pontos centrais da mostra é um tríptico que reúne registros de bailes e encontros negros em São Paulo, com a mãe da artista, Cleide Maria Elias, aparecendo em cada uma das imagens. Esses eventos, muito além de lazer, funcionavam como estratégias de permanência: eram espaços de construção de redes de apoio, busca de trabalho, laços afetivos e familiares, e afirmação de presença na cidade. Ao revisitar essas fotos, Ziza revive a própria trajetória familiar e ressalta a importância desses territórios como locais de resistência, convivência e imaginação de futuros possíveis para a comunidade negra.
A artista também aprofunda procedimentos já trabalhados em sua trajetória, especialmente a investigação da imagem figurativa e das narrativas ausentes, usando o tecido voal com sublimação para criar camadas de presença e apagamento. A transparência do voal, em sua leitura, reflete a incompletude da história contada, operando a noção de que o primeiro plano é sempre o futuro, com figuras que se apresentam como eternas e protagonistas. Renata Felinto destaca como a exposição atua como uma reinscrição histórica, tensionando narrativas oficiais e reafirmando a presença negra como dimensão estruturante da cidade.
Serviço
Exposição: Território de Permanência
Artista: Soberana Ziza
Local: Centro Cultural São Paulo – Piso Flávio de Carvalho
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso – São Paulo
Visitação: 08/03/2026 a 03/05/2026
Terça a sexta, 10h00 às 20h00
Sábados, domingos e feriados, 10h00 às 18h00
Visitas guiadas conduzidas por educador especializado
Quintas e sábados, 14h00 às 16h00
Entrada: Grátis – Sem retirada de ingresso
A programação e horários podem sofrer alterações
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