Quando Anoitece traz a infância para o debate antirracista

Espetáculo valoriza negritude, identidade e diversidade nos palcos do Sesc

Crédito: Tico Dias e Binho Cidral

O espetáculo infantojuvenil Quando Anoitece estreia no dia 8 de março, domingo, às 12h, no teatro do Sesc Bom Retiro, com temporada aos domingos, também às 12h, até 19 de abril, incluindo sessão extra no feriado de 21 de abril, terça‑feira, no mesmo horário. A montagem acompanha Melânia, menina preta que, ao lado de Lari, Juca e Jaque, forma um grupo de amigos inseparáveis, e “Pedacinho do Céu”, uma figura alegórica que surge em seus momentos de solidão. Juntos, atravessam uma jornada que combina lúdica com profundidade, discutindo pertencimento, diversidade, respeito e práticas antirracistas em linguagem acessível ao público infantil.

A narrativa parte da experiência de Melânia, que, embora cercada por amigos, se sente solitária ao perceber que não se identifica fisicamente com nenhum deles. Sozinha, ela desabafa com um gravador, até que surge Pedacinho do Céu, ser de outro mundo que encarna o orgulho de suas raízes e a conexão com a ancestralidade negra. Ao interagir com as crianças, a personagem conduz cenas que tratam de identidade, pertencimento e convivência, transformando situações de diferença em oportunidades de acolhimento, diálogo e reconhecimento. A peça ressalta o amor, o cuidado e a amizade como ferramentas para combater preconceito e construir relações mais saudáveis.

A montagem se estrutura a partir da transformação cênica de dois ambientes centrais: o quintal e o quarto de Melânia. O quintal simboliza a convivência com os amigos, o universo lúdico e a relação com a ancestralidade, com brincadeiras, elementos práticos como balanços e objetos reaproveitados que se reconfiguram ao longo da apresentação. O quarto, por sua vez, é o espaço íntimo e criativo da protagonista, onde se expressam sonhos, desejos e medos, com móveis infantis, ilustrações e iluminação suave que reforçam seu mundo interno. A encenação utiliza esses dois territórios para conectar imaginação e realidade, tornando visíveis os conflitos emocionais e a construção gradual da autoestima de Melânia.

Voltada ao público infantojuvenil, a peça aborda racismo e gordofobia, mas sempre com leveza e cuidado. A idealização dialoga com dados do Censo Escolar de 2022, que apontam que cerca de 27% dos estudantes não declararam cor ou raça, segundo o INEP, como ponto de partida para refletir sobre identidade racial no ambiente escolar e os impactos na formulação de políticas públicas. O espetáculo propõe que crianças conheçam seus direitos, reconheçam a importância da valorização da própria identidade e se empoderem para enfrentar situações de discriminação.

A direção de Flávio Rodrigues e a dramaturgia de Le Conde dão forma a uma narrativa que equilibra ternura e denúncia, sem perder o caráter lúdico que marca o universo infantojuvenil. No elenco, estão Amanda Linhares, Conrado Costa, Leonardo Garcez, Marina Espinoza e Thaís Cabral, atriz que, além de atuar em cena, é idealizadora e produtora do projeto. Para Cabral, espetáculos como Quando Anoitece são essenciais para formar crianças empoderadas, capazes de reconhecer sua força e a importância do amor e do acolhimento para enfrentar qualquer forma de preconceito.

SERVIÇO
Local: Sesc Bom Retiro (Teatro)
Alameda Nothmann, 185, Campos Elíseos – São Paulo
Temporada: De 8 de março a 19 de abril (Sessão extra no feriado de 21 de abril, terça-feira, às 12h). Horário: Domingos, às 12h. Preço: R$40 (Inteira), R$20 (Meia), e R$12 (Credencial Plena). Grátis para Crianças com até 12 anos.
https://www.sescsp.org.br/programacao/quando-anoitece/

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