Quase dá para chamar de dança mistura diário, poesia e prosa pela Andrômeda

A escritora, tradutora e intérprete pernambucana Emily Bandeira acaba de lançar Quase dá para chamar de dança pela editora Andrômeda. A obra é fruto de onze meses de imersão na releitura cronológica de 55 cadernos pessoais escritos entre os 10 e os 29 anos — um exercício incomum de acompanhar, com atenção, tanto os contextos da vida quanto a própria evolução da escrita. O evento de lançamento acontece no dia 30 de maio, na Livraria Circulares, em Brasília, onde a autora é radicada.
O projeto começou na véspera de seu aniversário de 29 anos, em uma quitinete na Asa Norte, quando Emily abriu um baú e resgatou caixas com cadernos antigos. O primeiro deles data de 2005, comprado na Livraria Cultura do Paço Alfândega, em Recife, e trazia na capa uma menina gótica — e o nome “Emily” já impresso. A jornada que se seguiu foi marcada por uma descoberta central: a escrita sempre foi, para ela, um modo de existir.
A obra carrega também uma dimensão de sobrevivência afetiva. Ainda menina, Emily teve seus diários lidos pela madrasta e precisou criar estratégias de proteção: escrevia em códigos, alfabetos inventados e, mais tarde, em inglês — até o dia em que a madrasta apareceu com um dicionário. Ela chegou a usar as margens de um manual de instruções de celular Nokia como caderno disfarçado. “Imagina que teimosia de querer escrever. Um amor desses justifica uma vida inteira”, reflete a autora.
A curadoria final reúne escritos de 2005 a 2024, organizados em blocos que misturam poesia, prosa e fragmentos de diário sem se enquadrar em gêneros rígidos. Avós, amores, plantas na laje e cafés em padarias do interior de Goiás formam um universo de “poesia sobre o cotidiano e inquietações humanas”. O título nasce do entrelaçamento entre escrita e vida: uma coreografia imprecisa, quase uma dança. Com orelha de Ingrid Leandro e prefácio de Pollyana Azevedo, o livro é um retrato de como a escrita transforma o vivido em camadas adicionais de realidade.
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