Paulo Rea traz a marchetaria para o mundo infantojuvenil

Com “Distante… mas nem tanto” e “Quem vem lá?”, o artista une leitura e técnica artesanal centenária

Foto: Divulgação

Na era em que uma ilustração pode ser gerada em segundos por inteligência artificial, o artista visual Paulo Rea escolhe o caminho oposto: constrói histórias lâmina por lâmina, com as mãos, sobre madeira. A técnica é a marchetaria, uma prática artesanal milenar que se torna o ponto de partida para seus dois livros infantojuvenis “Distante… mas nem tanto” e “Quem vem lá?”, com lançamento marcado para o sábado, 7 de março, pela Editora Eureka. O evento ocorre na Livraria Novosete, na Vila Mariana, em São Paulo, e inclui a apresentação das obras originais em madeira que deram origem às ilustrações, além de sessão de leitura das histórias, destacando o processo artístico e o valor do trabalho manual dentro da experiência literária.

“Distante… mas nem tanto” aborda amizade, superação de diferenças, viagem espacial e autoconhecimento, propondo uma reflexão sobre pertencimento e aceitação, enquanto “Quem vem lá?” constrói uma narrativa permeada por curiosidade e suspense, convidando a criança à descoberta em cada página. Paulo Rea reforça a proposta de aproximar o público infantojuvenil tanto da leitura quanto da marchetaria: “A marchetaria é uma técnica artesanal milenar, que data do Egito Antigo! Por isso, estou muito feliz em apresentar esses livros, será uma oportunidade de compartilhar as histórias e permitir que as crianças tenham contato com essa forma de arte como parte da experiência de leitura”, afirma o autor, vinculando a singularidade das imagens à atenção cuidadosa exigida pelo processo manual.

A marchetaria é uma técnica que compõe imagens e padrões a partir da combinação de diferentes lâminas de madeira, com seleção, corte e encaixe feitos à mão. Ao explorar variações naturais de cor, textura e tonalidade, o artista transforma a irregularidade do material em linguagem visual sofisticada. Diferente da xilogravura – em que a madeira é entalhada para gerar cópias impressas –, a marchetaria não visa a repetição, mas a construção de peças que se ajustam como um mosaico, preservando os veios originais e conferindo singularidade a cada composição, que, no caso dos livros de Paulo Rea, se torna o ponto de partida das ilustrações publicadas.

Formado em Psicologia pela PUC-SP, Paulo Rea iniciou sua trajetória como artista visual em 1992 e, ao longo dos anos, aprofundou sua formação com nomes como Carlos Fajardo, Celso Orsini, Artur Lascher, Claudio Tozzi e Dudi Maia Rosa. Desde 1998, trabalha com madeira no ateliê Cose Di Legno, de Piero Calò, onde consolidou a marchetaria como linguagem central de sua produção artística, desenvolvendo obras visuais, peças de design e ilustrações com identidade própria, que agora ganham nova dimensão ao dialogar com o universo da literatura infantil.

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