Paulinho da Viola e Bethânia emocionam no Doce Maravilha

Festival celebra encontros históricos da MPB e reúne gerações no Rio de Janeiro

O primeiro dia do Doce Maravilha 2026 transformou o Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, em território de encontros entre diferentes gerações e vertentes da música nacional. Neste sábado (8), a quarta edição do festival teve como um de seus momentos mais marcantes o reencontro de Paulinho da Viola e Maria Bethânia no palco. Amigos de longa data, os dois artistas dividiram novamente os vocais em uma apresentação carregada de memória afetiva e reverência à música brasileira. Canções como “Falsa Baiana”, “Desde que o Samba é Samba” e “Reconvexo” ganharam novas interpretações diante de um público que acompanhou em coro o encontro. A participação de Bethânia sintetizou uma das principais propostas do evento: promover diálogos que atravessam épocas, repertórios e movimentos fundamentais da cultura do país.

Créditos: Foto / @roncca

A programação, sob curadoria de Nelson Motta, ampliou esse encontro de gerações ao longo dos diferentes palcos. No Palco Corona, o Cortejo Afro levou a força da música baiana ao festival acompanhado por Margareth Menezes e com participação especial de Luedji Luna, enquanto o Bloco do Silva encerrou a noite combinando repertório autoral e canções associadas à atmosfera do verão brasileiro. Nelson Motta e Lôu Cascudo também comandaram o DJ Set Noites Tropicais. No Palco Bradesco, Chico Chico e Juliana Linhares revisitaram a obra de Belchior em um espetáculo que incluiu músicas como “Como Nossos Pais”, enquanto Leci Brandão encontrou o rap de Rappin’ Hood em outra colaboração que evidenciou a vocação do Doce Maravilha para aproximar linguagens musicais distintas. Amanda Magalhães, Yasmin Lisboa, Sô Lima e Larinhx completaram a programação do sábado.

Depois de uma abertura marcada pela memória da MPB, o Doce Maravilha chega ao segundo e último dia neste domingo (9) mantendo a aposta em apresentações concebidas especialmente para o festival. Um dos encontros mais aguardados reúne Caetano Veloso e Emicida em um show exclusivo, aproximando duas gerações que construíram suas trajetórias em contextos distintos da música e da cultura brasileira. Os Paralamas do Sucesso celebram os 40 anos de “Selvagem?”, álbum lançado em 1986 e fundamental na discografia do grupo, com uma apresentação integral do trabalho. A agenda ainda traz Falamansa com Ruan Vitor Vaqueirinho, Nova Orquestra interpretando “Bloco do Eu Sozinho”, Academia da Berlinda comemorando uma década de “Nada Sem Ela” e Sandra Sá revisitando os 40 anos de seu álbum de estreia, lançado em 1986.

Além da dimensão artística, o festival mantém iniciativas voltadas à acessibilidade, sustentabilidade e impacto social. A estrutura inclui áreas adaptadas, rampas, banheiros acessíveis, interpretação em Libras e espaços destinados a pessoas com deficiência, além de ações de gestão de resíduos, reaproveitamento de materiais e uso consciente de recursos. O Ingresso Solidário também destina parte da arrecadação ao Instituto Vida Livre e ao Instituto da Criança. Ao reunir nomes históricos e artistas de diferentes gerações em apresentações construídas a partir do diálogo e da celebração de repertórios emblemáticos, o Doce Maravilha reforça uma identidade que ultrapassa a lógica de uma sequência convencional de shows. Se o sábado encontrou seu símbolo no reencontro de Paulinho da Viola e Maria Bethânia, o domingo promete prolongar essa conversa entre memória, renovação e diversidade que atravessa a música brasileira.

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