Pai e Filha volta como clássico do cinema japonês

Obra de Yasujirō Ozu será exibida na segunda‑feira (23), às 23h, na programação do canal

Setsuko Hara como Noriko Somiya no filme “Pai e Filha” (Divulgação)

O canal Arte1 apresenta o filme Pai e Filha, clássico do cinema japonês dirigido por Yasujirō Ozu, nesta segunda‑feira (23), às 23h. Lançado em 1949, o longa acompanha Noriko, uma jovem que vive com o pai viúvo, Shukichi, e decide não se casar para continuar cuidando dele. Aos poucos, a pressão familiar e as convenções da sociedade japonesa contemporânea a colocam diante de um dilema sobre amor, responsabilidade e independência, em um drama que se desenrola com delicadeza e grande profundidade emocional.

A mudança de cenário acontece quando a irmã de Shukichi alerta que, se Noriko não se casar em breve, poderá terminar a vida sozinha. Diante da resistência da filha, o pai se vê obrigado a enganá‑la, fingindo se casar de novo, com o objetivo de lhe dar estímulos para seguir em frente com a própria vida. Esse gesto de sacrifício – em que Shukichi coloca a felicidade da filha acima da sua – atravessa o filme como um dos centros da tensão ética e afetiva, reforçando o vínculo entre as gerações, o peso das tradições e a beleza silenciosa de um amor discreto, mas radicalmente presente.

O longa é baseado no livro Chichi to Musume, do escritor e crítico japonês Kazuo Hirotsu, e produzido pelos estúdios Shochiku, durante a Ocupação do Japão pelas forças aliadas, período em que o cinema do país enfrentava critérios de censura rígidos. Mesmo dentro dessas limitações, Pai e Filha se destaca como uma das obras mais importantes da filmografia de Ozu, marcada por planos estáticos, composições rigorosas e profundidade psicológica. O filme ganhou o prêmio de Melhor Filme no Mainichi Eiga Concours Award, um dos concursos mais tradicionais do cinema japonês, consolidando seu lugar na história do cinema de autor mundial.

No canal Arte1, o título volta a ser acessível para novas gerações de espectadores, funcionalizando o clássico como poema de família, sensível e contido, em que o conflito não se expressa em gritos, mas em olhares, silêncios e gestos mínimos. Ao ocupar a programação de fevereiro, a exibição lembra que Pai e Filha continua atual ao problematizar heranças emocionais, ideais de casamento e a forma como as culturas latino‑orientais compreendem a responsabilidade entre filhos e pais idosos.

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