Documentário de Elza Cataldo recupera trajetória de Eva Nil em estreia no Itaú de Cinema
O documentário O Silêncio de Eva, da cineasta mineira Elza Cataldo, resgata a trajetória de Eva Nil, atriz chamada de “Greta Garbo brasileira”, figura marcante porém pouco conhecida do cinema nacional. Produzido pela Persona Filmes e distribuído pela Encripta, o longa estreia em 9 de abril no Espaço Itaú de Cinema, em São Paulo. Eva Nil, nascida no Cairo em 1909, trabalhou em filmes de Humberto Mauro e Adhemar Gonzaga — hoje perdidos —, e abandonou o cinema no final dos anos 1920, dedicando-se ao lado do pai, Pietro Comello, à fotografia. Faleceu em 1990 em Cataguases (MG), onde passou a maior parte de sua vida, deixando lacunas profundas na memória cinematográfica brasileira.
Combinando material documental com encenações poéticas que preenchem vãos da vida de Eva, o filme reconstrói sua trajetória de forma lírica e investigativa. A atriz Inês Peixoto — acompanhada pelo marido, ator Eduardo Moreira, e pela jovem atriz Bárbara Luz (“Ainda estou aqui”), filha do casal — corporifica momentos imaginários da vida de Eva, enquanto o trio dialoga sobre sua carreira e a profissão de atriz no contexto de apagamento histórico. A linguagem do longa equilibra depoimentos, entrevistas e testemunhos com recriações ficcionais, cenários e figurinos que transportam o público para o universo criativo de Eva, ampliando paralelos entre a família de artistas que cercava Eva e aquela representada por Inês, Eduardo e Bárbara. A montagem de Armando Mendz costura essas camadas com delicadeza.
Elza Cataldo possui longa trajetória no cinema, trabalhando como produtora, roteirista e exibidora. Entre seus trabalhos estão os longas Vinho de Rosas (2005), As Órfãs da Rainha (2023), o documentário O Levante de Bela Cruz (2021), além de diversos curtas. Entre 1992 e 2006, Cataldo trabalhou como exibidora em Belo Horizonte, fundando os Cinemas Usina-Liberdade e dirigindo instituições de exibição. Para a cineasta, Eva representa uma mulher que ousou sonhar cinema em pequena cidade de Minas: seus sonhos, desafios, desejo de profissionalismo e intensidade inspiram Cataldo, ainda que ela “resista” onde Eva cedeu. A diretora ainda aponta que o cinema brasileiro continua enfrentando, desde o tempo de Eva, as mesmas dificuldades: viabilização financeira, realização artística e acesso ao público — obstáculos que atravessam gerações de cineastas brasileiras.
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