Livro aproxima Euclides da Cunha, história e ecologia em nova leitura de Canudos

A Guerra de Canudos, um dos episódios mais marcantes da história do Brasil, ganha uma nova vida literária em Era uma vez uma guerra na Caatinga, publicado pela Editora Outra Margem e escrito pela fluminense Fabiana Corrêa. Longe de ser uma adaptação de Os sertões, de Euclides da Cunha, o livro é uma narrativa autônoma, situada no mesmo universo de Canudos e centrada em uma perspectiva inusitada: a de Sertanejo, um calango da Caatinga que se torna narrador e testemunha privilegiada dos acontecimentos. O lançamento se insere nos 160 anos de nascimento de Euclides da Cunha, reacendendo o interesse pela obra e pelo sertão em chave ecológica e pedagógica.
A autora, formada em Ciências Biológicas e com especialização em Educação Ambiental, desenvolveu a ideia a partir de anos de experiência em sala de aula. Durante décadas, levou a história de Canudos para as aulas de Ciências e Biologia, misturando história, geografia e ciência do meio ambiente. Para substituir sua figura de professora‑contadora de histórias, escolheu um representante da fauna da Caatinga baiana: o calango Sertanejo, que tudo ouviu, viu e agora decide contar. Esse narrador peculiar permite ao leitor acessar o conflito a partir de uma voz próxima da terra e do cotidiano, sem perder o peso histórico do episódio.
A obra acompanha a trajetória de Antônio Conselheiro, chamado de “Peregrino”, até a fundação do arraial de Belo Monte, nome dado pelos próprios moradores ao que a história oficial registra como Canudos. Pelo olhar do pequeno calango, o leitor mergulha no cotidiano, na fé e na resistência de um povo que tentou construir uma vida mais justa e igualitária no coração do sertão. Um dos momentos mais intensos do livro descreve a batalha em que a própria Caatinga se torna aliada dos sertanejos, com galhos e espinhos ressecados formando barreiras impenetráveis para as tropas e, ao mesmo tempo, abrindo caminhos secretos para quem conhece a terra.
Cada capítulo de Era uma vez uma guerra na Caatinga abre e se encerra com trechos selecionados de Os sertões, criando uma ponte direta entre a narrativa de Fabiana e a escrita monumental de Euclides da Cunha. A autora deixa claro que não se trata de uma versão resumida ou simplificada do clássico, mas de uma história que convida o leitor a voltar por si mesmo à originalidade e complexidade do texto euclidiano. O objetivo é fazer do livro um “chamado” para a leitura de Euclides, especialmente em um cenário em que temas como desigualdade, território e meio ambiente seguem surpreendentemente atuais.
Ilustrado por Arthur Abreu, o livro também é um convite a enxergar a Caatinga como organismo vivo, seguindo a visão de Euclides da Cunha, que foi um dos primeiros intelectuais brasileiros a tratar a ecologia como questão social e política. A obra é, ao mesmo tempo, uma narrativa ecológica, um registro de método pedagógico desenvolvido em sala de aula e um gesto de memória sobre uma história que precisa ser lembrada para não ser esquecida. Ao devolver a centralidade ao sertão e à Caatinga, Era uma vez uma guerra na Caatinga reforça o protagonismo desses espaços e de seus povos na construção do Brasil contemporâneo.
Adquira o livro “Era uma vez uma guerra na Caatinga” pelo site da editora Outra Margem: https://www.editoraoutramargem.com.br/product-page/era-uma-vez-uma-guerra-na-caatinga-fabiana-corr%C3%AAa
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