Cantora parte de composição de Oswaldo Montenegro e Mongol para versão áspera e intimista
Após o lançamento de “Louca”, Nanda Moura disponibiliza, nesta sexta‑feira, 6 de março, o single “Sempre Não é Todo Dia”, versão da clássica composição de Oswaldo Montenegro e Mongol. Uma das vozes mais marcantes do blues rock nacional contemporâneo, Nanda reconduz a canção por caminhos mais ásperos e intimistas, com violão resonator e slide, assinando uma releitura que reforça sua própria visão de que “a música, naturalmente, é um Blues”. O single chega acompanhado de um vídeo‑conceito, estreado no canal da cantora no YouTube, articulando imagem, cor e narrativa em torno de uma princesa que percebe os limites da postura que o mundo espera dela.
Para Nanda, o maior desafio da construção da versão foi evitar imitar o estilo de Oswaldo. “A maior dificuldade que eu tive foi de não cantar imitando o estilo do Oswaldo. Ele tem uma identidade muito forte”, conta, destacando a busca por uma leitura pessoal, mesmo diante de uma obra já carregada pela personalidade do compositor. Originalmente integrada à peça “Aldeia dos Ventos”, nos anos 1980, e gravada também por Zizi Possi e pelo próprio autor, a música ganha agora uma atmosfera mais minimalista e visceral, em que a robustez do blues do Mississippi dialoga com a poesia delicada da letra. A letra retrata o amanhecer de uma mulher, “princesa”, que descobre que nem todo dia é possível manter a postura principesca que lhe é atribuída, valeu‑se da metáfora para falar de vulnerabilidade, expectativa e identidade.
Ao ouvir a releitura, Oswaldo Montenegro reagiu com entusiasmo: “Fiquei muito honrado com sua versão. Quero muito que todo mundo ouça o que eu ouvi aqui!”. O reconhecimento do próprio autor ilustra a intensidade emocional conferida por Nanda à canção, que oscila entre reclusão e ruptura. No vídeo‑conceito, o fundo branco infinito já apresentado em “Louca” é mantido, mas agora ganha o vermelho como nova camada simbólica. Espelhos, objetos de cena e maquiagem rompem a neutralidade da imagem, introduzindo tons de sangue, paixão e perigo. A artista explica que se inspirou em Cildo Meireles, especialmente na ideia do desvio para o vermelho, reforçando a atmosfera interior e a carga de intensidade psicológica dessa fase audiovisual.
O lançamento marca o segundo capítulo de uma tríade audiovisual que culminará em um terceiro vídeo totalmente imerso na cor, fechando um EP que usa a leitura de clássicos como plataforma para ampliar o universo de Nanda Moura. Ao dialogar com Oswaldo e Mongol, a cantora só reforça sua posição como ponte entre raiz brasileira e blues internacional, provando que, mesmo em versões, é possível imprimir visão própria ao repertório de gigantes.
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