Romance histórico de Chen Zhongshi recria conflitos e mudanças da China do século XX em formato clássico moderno

A Editora Estação Liberdade traz de volta ao catálogo “Na Terra do Cervo Branco”, um clássico moderno da literatura chinesa, escrito por Chen Zhongshi. O romance, que já conquistou leitores no Brasil e internacionalmente, ressurge como referência para quem busca um mergulho épico na história da China ao longo do século XX, com um olhar que combina realismo histórico, pensamento mágico e tensão familiar. A edição nacional, em formato 16 × 23 cm e 864 páginas, traz tradução de Ho Yeh Chia, Márcia Schmaltz e Mauro Pinheiro, garantindo uma leitura imersiva em um dos grandes romances históricos da literatura contemporânea.
Publicado originalmente em 1993, “Na Terra do Cervo Branco” nasce de um projeto ambicioso: recriar as marés históricas e conflitos políticos que atravessaram a China entre o fim da dinastia Qing, em 1912, e o estabelecimento da República Popular da China sob Mao Tsé-tung. Nesse pano de fundo, Chen Zhongshi revisita guerras civis, disputa entre Kuomintang e Partido Comunista, invasão japonesa, Segunda Guerra Mundial e a Grande Marcha, mostrando como o poder local, a tradição confucionista e a filosofia camponesa tentam se manter diante da avalanche de mudanças impostas pelo Estado revolucionário. O livro é um dos grandes representantes do novo romance histórico chinês, movimento literário que, a partir da década de 1990, encontrou mais espaço para refletir criticamente sobre o passado recente do país.
A trama se concentra na plantação do Cervo Branco, onde as famílias Bai (branco) e Lu (cervo) — parte de um mesmo clã — disputam o poder ao longo de três gerações. A liderança é encabeçada por Bai Jiaxuan, símbolo da ética local e da continuidade familiar, e por seu amigo e rival Lu Zulin, que, embora próximo, representa caminhos divergentes diante da modernidade. Diante de um país em constante colapso, os personagens exploram rotas distintas: alguns se entregam à educação, outros ao banditismo, enquanto outros abraçam partidos e movimentos de poder, em uma interação complexa entre fé, tradição, confucionismo, rituais mágicos e filosofia coletiva, representados por figuras como o doutor Leng e o mestre Zhu.
A obra também trabalha a questão de gênero com sensibilidade, expondo a opressão patriarcal e as tentativas de libertação feminina, encarnadas em Xiao’e e na forte figura de Bai Ling. A interação entre escolhas políticas, revoluções familiares e metamorfoses sociais leva as famílias a lados opostos em uma guerra fratricida, com desfechos trágicos que reforçam o peso das decisões individuais em meio a grandes transformações históricas. A epígrafe retirada de Balzac — “o romance é como a história secreta de um povo” — ecoa ao longo do texto, evidenciando a ambição de Chen Zhongshi em construir um épico universal sobre o poder das escolhas frente à violência do tempo e dos conflitos.
Na Terra do Cervo Branco recebeu o prestigioso Prêmio Mao Dun, em 1997, principal prêmio literário da China, e obteve milhões de cópias vendidas, além de adaptações em cinema e televisão. A volta do livro ao catálogo da Editora Estação Liberdade reforça a importância de trazer ao público brasileiro clássicos que conectam história, cultura e reflexão sobre identidade coletiva, colocando Chen Zhongshi ao lado de autores como Yu Hua e Mo Yan, com a diferença de focar em questões profundamente enraizadas na experiência chinesa.
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