Mother’s Baby traz à tela o medo e o horror da maternidade

Thriller psicológico de Johanna Moder estreia nos cinemas brasileiros em 5 de março de 2026

Mothers Baby Julia Franz Richter Gerlinde / crédito Autoral Filmes

A cineasta austríaca Johanna Moder apresenta “Mother’s Baby”, um thriller psicológico que mergulha no lado sombrio da maternidade, com estreia marcada para 5 de março de 2026 nos cinemas brasileiros. Distribuído pela Autoral Filmes, o longa acompanha Julia, uma maestra de sucesso de 40 anos, que, depois de um tratamento em uma clínica de fertilidade, finalmente engravida. O nascimento do filho, no entanto, não segue o planejado: o bebê é retirado de seus braços quase imediatamente e, quando ela o reencontra, Julia começa a duvidar se é realmente o seu filho, dando início a uma espiral de paranoia, depressão pós‑parto e desconfiança.

A obra explora os medos de uma mãe que, ao invés de viver a felicidade idealizada, se vê diante de um pesadelo emocional e existencial. O marido, Georg, também entra nessa espiral psicológica, enquanto o casal tenta se manter estável diante de um procedimento experimental supervisionado pelo enigmático Dr. Vilfort, interpretado por Claes Bang. O longa traz ainda Marie Leuenberger no papel central e Hans Löw como o parceiro de Julia, construindo um elenco coeso que sustenta a tensão entre ilusão, realidade e maternidade problematizada. Coprodução entre Áustria, Suíça e Alemanha, “Mother’s Baby” teve sua estreia mundial no 75º Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde concorreu ao Urso de Ouro.

Ao optar por um suspense psicológico em vez de um drama tradicional, a diretora cria um clima de dúvida que se espalha para o público tanto quanto para a protagonista. O filme utiliza a escuridão visual, a saturação de tons e o clima de incerteza para retratar a deterioração da saúde mental de Julia, sem nunca deixar absolutamente claro se o perigo vem da criança, da própria mente da mãe ou de algo mais sinistro no entorno. A crítica internacional comparou a obra a “Eraserhead”, de David Lynch, destacando a atmosfera visceral e o desconforto gerado pela incompreensão e pela insegurança em torno de uma figura que deveria ser infinitamente inocente.

Além da Berlinale, “Mother’s Baby” circulou por diversos festivais internacionais, como o Festival de Cinema da Índia, o Talinn Black Nights (Estônia) e o Festival de Sitges (Espanha), reforçando seu posicionamento como um dos grandes nomes do gênero contemporâneo. A produção dialoga com outros longas recentes de direção feminina que exploram a maternidade como território de terror e melancolia, como “Canina”, de Marielle Heller, e “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”, de Mary Bronstein. Para a imprensa internacional, o filme é descrito como “envolvente, perturbador e repleto de humor negro”, com forte impacto emocional do início ao fim.

Johanna Moder define “Mother’s Baby” como um projeto profundamente pessoal, quase um “acerto de contas” com as expectativas não cumpridas e com o peso da idealização da maternidade. Na visão da cineasta, o filme desvela a realidade por trás da fachada de perfeição de familiares felizes, mostrando a solidão, a culpa e a luta de uma mulher para se reconhecer em um novo papel que não corresponde ao que imaginou. Ao focar no lado oculto da maternidade, a obra questiona não só a sanidade da protagonista, mas também as estruturas sociais, familiares e médicas que ajudam a criar esse vazio entre sonho e realidade.

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