Livro do jornalista Ricardo Viveiros traça trajetória do fundador da UniPalmares e destaca papel da educação como instrumento de combate ao racismo

A biografia “O sol brilhou à noite – A trajetória do líder afro-brasileiro José Vicente”, do jornalista e escritor Ricardo Viveiros (editora DisrupTalks), será lançada no dia 19 de março, às 19 horas, na Galeria Magalu (ex‑Livraria Cultura), no Conjunto Nacional, em São Paulo. Na apresentação, o autor afirma que a obra traz uma história “poderosa” que aponta para um projeto de Brasil onde pessoas de todas as cores possam “sonhar, estudar, trabalhar e viver com dignidade”, conquistando a felicidade por mérito próprio.
José Vicente, doutor em Educação e mestre em Ciências Jurídicas e Administração, figura entre os nomes mais respeitados do ensino e da inclusão racial no Brasil. Fundador da ONG Afrobras, criador do Prêmio Raça Negra e de outras iniciativas de impacto, ele se consagrou ao criar a Universidade Zumbi dos Palmares (UniPalmares), a única instituição de ensino superior voltada à formação de estudantes negros na América Latina. A universidade surgiu ainda em um contexto em que as cotas raciais eram tema de forte debate, mas, em 2004, a instituição abriu suas portas com 50% das vagas reservadas a estudantes negros, formando desde então milhares de profissionais preparados, conscientes e orgulhosos de sua identidade racial.
A biografia de Viveiros mostra que José Vicente nasceu em um contexto marcado pela pobreza e pela ausência paterna, criado por uma mãe viúva, Izabel, na Marília dos anos 1960. Menino do Morro do Querosene, cresceu jogando futebol com os meninos, frequentando bailes de domingo, trabalhando como engraxate e boia‑fria. A descoberta da música, ao tocar em bandas, compor canções e participar de festivais, foi um dos primeiros passos de uma trajetória que mistura arte, ativismo e formação acadêmica. Mais tarde, enquanto fazia “bico” como pintor de paredes, prestou concurso para soldado da Polícia Militar, mudou‑se para a capital paulista, retomou os estudos e se formou em Direito.
Nos corredores da faculdade e no clima da Constituinte de 1987, a pergunta que mudou o rumo de sua vida foi: por que, em uma sala de 100 alunos, havia apenas dois estudantes negros? A inquietação o levou a se tornar advogado, depois delegado de polícia e, por fim, a ingressar na Escola de Sociologia e Política, onde encontrou outros jovens com a mesma preocupação e o mesmo sonho de um Brasil em que o povo negro tivesse voz e lugar.
Para o autor, o combustível da luta de José Vicente não é o ressentimento, mas a esperança. Sua trajetória, segundo Viveiros, é um testemunho do poder da união e da cooperação em torno de uma causa que exige a participação de todos. Sob a liderança de Vicente, a presença negra migrou progressivamente das páginas policiais e esportivas da mídia para as editorias de economia, ciência e política, e, nas telas de televisão, negros deixaram de ser apenas “empregados” ou “bandidos” para se tornarem protagonistas e referências.
O livro funciona, assim, como um registro de uma trajetória que une educação, mercado de trabalho, cultura e militância racial, reforçando a ideia de que a inclusão racial é um processo histórico, político e pedagógico, e não apenas uma questão individual.
Literatura é Semana Pop
Siga Luiz Amoasei no Instagram
Conheça a produtora: IdeiaDigital
Siga o Semana Pop no Instagram
Conheça a missão do Semana Pop
Lembrando que todo o conteúdo de artigos produzidos por terceiros, não é de responsabilidade do portal Semana Pop.





