Playlist de março reúne big band sertaneja, jazz afro-diaspórico, afro-samba-jazz e música de câmara

Em março, o Instrumental Sesc Brasil apresenta uma sequência de shows inéditos que afirmam a música como gesto de memória e construção de futuro. Gravados no Teatro Anchieta, no Sesc Consolação, e exibidos pelo SescTV, os espetáculos reúnem artistas e coletivos de diferentes regiões do país em performances que tensionam tradição e contemporaneidade sem recorrer a fórmulas prontas. O que se ouve é resultado de pesquisa, convivência artística e escolhas estéticas claras, com a música pensada como linguagem de ocupação, criação e posição no mundo.
A programação abre em 1º de março com a Grande Banda do Sertão, big band formada por 16 músicos do Vale do Paraíba, criada em 2018 em São Luiz do Paraitinga (SP). O grupo construiu identidade ao trabalhar com composições autorais e obras de criadores da região, como Elpídio dos Santos, referência da música caipira paulista. Os arranjos preservam a tradição do sertão, mas atravessam a sonoridade com elementos da música popular brasileira e da linguagem jazzística, expandindo o repertório sem apagá‑lo. O resultado é um corpo sonoro amplo, em que sopros e ritmos redesenham paisagens conhecidas sob uma nova luz.
Na semana seguinte, 8 de março, a baixista, cantora e compositora Lua Bernardo leva ao palco o show “Boia e Ilumina”, propondo um deslocamento sensorial: “boiar” como quem suspende o peso do cotidiano e se deixa conduzir pelo som. Seu repertório autoral é atravessado pelo jazz espiritual, rapjazz, afrobeat e claves da diáspora negra. A escrita musical dialoga com a tradição afro‑atlântica sem perder o pulso urbano, criando um campo de tensão entre introspecção e afirmação rítmica, com presença forte de improvisação e choque de timbres.
Em 15 de março, a pianista e compositora Juliana Rodrigues conduz o projeto Hexapoema, um sexteto que integra jazz, samba e outras matrizes em composições originais de densa construção temática. O grupo investiga estruturas rítmicas e harmônicas a partir de uma escuta coletiva atenta, na qual improviso e escrita convivem em equilíbrio. As peças refletem questões sociais e musicais, articulando discurso e forma sem didatismo. A presença feminina, central na concepção do trabalho, manifesta‑se tanto na liderança e autoria quanto na forma como o espaço sonoro é organizado e compartilhado.
Sob a condução de Maíra Freitas, pianista, compositora e arranjadora reconhecida por sua atuação entre música de concerto e canção popular, o Jazz das Minas ocupa o palco no dia 22 de março em uma formação que afirma a potência criativa de instrumentistas mulheres. O grupo articula jazz, samba e outros trilhos da música brasileira em uma roda de afro‑samba‑jazz que celebra a música preta a partir da pluralidade. Filha de Martinho da Vila e com trajetória marcada por prêmios e indicações, Maíra – também conhecida como Ifátókí – estrutura arranjos que valorizam o diálogo entre piano, percussões e sopros, usando a roda como método e metáfora, um espaço circular de escuta e invenção compartilhada.
O mês se encerra, em 29 de março, com o Ubuntu Ensemble, coletivo de músicos cameristas pretos e pardos de diferentes regiões do Brasil, reunidos em torno da música de câmara. O grupo atua na difusão do repertório clássico e contemporâneo, ao mesmo tempo que problematiza a histórica ausência de representatividade no campo erudito. O concerto propõe uma escuta que desloca expectativas: a música de câmara, muitas vezes associada a tradições europeias cristalizadas, é apresentada como território em movimento, atravessado por trajetórias, corpos e histórias diversas. O nome do grupo, que faz alusão à filosofia africana “eu sou porque nós somos”, sintetiza a dimensão ética e artística do projeto.
Ao reunir big band do interior paulista, experimentações afro‑diaspóricas, jazz politizado, rodas de afro‑samba‑jazz e coletivos camerísticos comprometidos com representatividade, o Instrumental Sesc Brasil reafirma sua vocação como espaço de registro e difusão da música instrumental produzida hoje no país. Mais do que vitrine, o programa se consolida como um arquivo vivo, em que cada apresentação funciona como documento de um tempo em que criar também é uma forma de tomar posição.
PROGRAMAÇÃO DE MARÇO 2026
01/03 — Grande Banda do Sertão
08/03 — Lua Bernardo
15/03 — Juliana Rodrigues – Hexapoema
22/03 — Jazz das Minas e Ifátókí Maíra Freitas
29/03 — Ubuntu Ensemble
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