Gianluigi Antoni leva o hóquei no gelo adiante no Brasil

Atleta de 26 anos é referência nacional no esporte e sonha com vaga olímpica para o Brasil

Atleta do Talento Esportivo, Gianluigi Antoni fez a transição da quadra seca para a de gelo em 2021 / Divulgação

O calor do verão no hemisfério sul não muda o ritmo de Gianluigi Antoni, de 26 anos. Enquanto muitos esportes sofrem para manter a regularidade nas altas temperaturas, o atleta brasileiro treina e disputa seus jogos agasalhado sobre uma pista de gelo, em um cenário aparentemente distante da imagem tradicional do nosso clima. Independentemente de estações e termômetros, a rotina de Gian é marcada por patins, passes defensivos e chutes em direção ao gol, em um dos esportes de inverno menos conhecidos do país.

A primeira aproximação de Gian com o hóquei no gelo aconteceu por meio da mãe, que conheceu a modalidade durante o período em que estudou nos Estados Unidos. No entanto, a simpatia real foi despertada por um filme. “Lembro que meu primeiro contato com o hóquei no gelo foi com o filme ‘Nós Somos Campeões’”, conta, referindo‑se a The Mighty Ducks (1992), que conta a história de um advogado contratado para treinar uma equipe de hóquei no gelo. A partir dali, passou a acompanhar a modalidade pela TV e, com o tempo, a se imaginar em cima dos patins, pronto para entrar em quadra de gelo.

Andar sobre patins, aliás, nunca foi uma novidade para Gian. Antes de migrar para o gelo, ele já atuava no hóquei inline, versão praticada sobre patins de rodas em pistas secas de madeira ou cimento. Em 2021, decidiu fazer a transição para o hóquei no gelo, etapa que, segundo conta, foi relativamente tranquila porque começou a patinar cedo. “A parte mais difícil é acertar a coordenação motora sobre os patins”, explica. A experiência prévia, porém, facilitou o ajuste à velocidade maior e ao contato mais intenso típicos da versão sobre gelo.

Independentemente do tipo de superfície, o talento de Gian apareceu logo cedo. No hóquei inline, foi campeão paulista e sul‑americano, acumulando títulos que reforçam sua técnica e dedicação ao esporte. No gelo, se tornou uma das principais referências brasileiras ao comandar o Falcões, de Bragança Paulista, equipe que figura como atual tricampeã brasileira no país. Na seleção, seu papel é ainda mais central: ele é peça chave tanto na criação ofensiva quanto na organização defensiva, sempre pensando em opções de jogo e leituras do campo.

O atleta se define como um jogador “cerebral”, usando como parâmetro o futebol para explicar seu estilo. “Fazendo um paralelo com o futebol, eu sou uma espécie de meio de campo, que ajuda a defender e a marcar gols. Um bom jogador tem a mente fria e o coração quente. Precisa aliar inteligência com força e estratégia”, diz. Essa mistura de leitura tática, preparo físico e calma sob pressão faz com que Gian seja visto como um dos timoneiros do hóquei brasileiro — mesmo em um esporte que ainda luta por visibilidade dentro do território nacional.

Como bolsista do Programa Talento Esportivo, plataforma de financiamento do Governo do Estado de São Paulo voltada a atletas da base ao alto rendimento, Gian carrega em si também uma missão de divulgação do esporte. O Brasil não disputa Mundiais e Olimpíadas de Inverno na modalidade por ausência de infraestrutura mínima para praticar hóquei no gelo em escala nacional. Mesmo diante dessa limitação, o atleta é otimista quanto ao fortalecimento do esporte no país e até a uma inédita participação olímpica. “O Brasil está situado entre os países em desenvolvimento neste esporte. Tenho esperança de um dia chegarmos à elite”, afirma, mencionando a possibilidade de o hóquei 3×3 entrar no programa olímpico, modalidade na qual o Brasil já atende a requisitos como arena homologada e liga oficial. “Quando esse dia chegar, espero ainda ter condições de poder jogar pelo meu país”, conclui, com a mesma concentração com que encara seus adversários na pista de gelo.

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