Ator volta à MPB em álbum intimista com produção de Marcus Preto

Gabriel Leone lança “Minhas Lágrimas”, seu álbum de estreia como cantor, num momento de forte projeção na carreira audiovisual. O disco, produzido por Marcus Preto e Tó Brandileone, conta ainda com participações marcantes de Ney Matogrosso e Juliana Linhares, consolidando um trabalho delicado, curatorial e profundamente afetivo. Enquanto o ator integra o elenco de “O Agente Secreto”, filme de Kleber Mendonça Filho que vem ganhando destaque internacional em premiações como o Globo de Ouro e o Oscar, ele agora amplia sua presença artística ao campo da música, apresentando um repertório voltado à nervura emocional da MPB em vez de se prender a grandes sucessos.
Após abrir caminho com o single “Nós Dois”, lançado em dezembro de 2025, Leone chega com um disco de dez faixas gravado com uma banda enxuta, na qual a interação entre os músicos em estúdio é parte central da construção sonora. O álbum se posiciona no campo do chamado “Lado B” da MPB, reunindo composições de grandes autores e intérpretes que, ainda que não sejam seus maiores hits, trazem elevada densidade emocional. A proposta é revisitar essas obras sob uma abordagem intimista e contemporânea, valorizando sobretudo a interpretação e a maneira como a frase é cantada, ao lado da melodia em si.
“Minhas Lágrimas” nasce de um desejo pessoal do artista de mostrar ao público uma faceta até então pouco visibilizada. Leone conta que, diante de cada faixa escolhida, o critério emocional pesou mais do que o reconhecimento popular: “No momento em que cada uma dessas músicas bateu em mim, elas me emocionaram, me arrepiaram. Por isso, eu queria ficar arrepiado ouvindo as nossas leituras delas”, afirma. Já Marcus Preto reforça a orientação estética, dizendo que nenhuma composição poderia ser muito conhecida: “Na pior das hipóteses um lado B, mas preferencialmente um lado Z”, explica, referindo‑se a peças mais escondidas, mas igualmente carregadas de peso poético.
Entre os destaques, estão a participação de Ney Matogrosso em “Eta Nois”, de Luhli e Lucina, e de Juliana Linhares em “As Portas do Meu Sorriso”, canção de Paulinho Tapajós e Raimundo Fagner. O repertório ainda passeia por “Nós Dois” (Celso Adolfo), “Antes da Chuva Chegar” (Guilherme Arantes), “Cara Limpa” (Paulo Vanzolini), “Assim Sem Mais” (Antônio César Pinheiro, João Bosco e Waly Salomão), “Choro das Águas” (Ivan Lins e Vitor Martins), “Bolero de Satã” (Guinga e Paulo César Pinheiro), “Minhas Lágrimas” (Caetano Veloso) e “Segredo” (Djavan), formando um arco que abraça diferentes fases e estilos da MPB, mas sempre com sombreamento íntimo e quase salão de casa.
“Minhas Lágrimas” tem raiz em um estímulo que veio das próprias experiências teatrais e cinematográficas de Leone. Foi durante as filmagens de “Meu Álbum de Amores”, em que seu personagem é profundamente ligado à música popular brasileira, que um produtor se impressionou com sua performance e sugeriu que ele seguisse o caminho de cantor. O convite amadureceu em 2025, quando o ator resolveu assumir o estúdio como espaço de expressão musical pessoal, descolando‑se de apenas interpretar personagens marcados pela canção para construir sua própria voz.
A estreia coincide com um ciclo de projeção internacional, em que “O Agente Secreto” aparece em disputa e premiação de relevância global, reforçando o momento de consolidação artística de Gabriel Leone. Ainda na cena teatral, ele está em cartaz com a montagem de “Hamlet”, de William Shakespeare, que estreia em São Paulo em 19 de fevereiro, confirmando sua presença em três frentes distintas: cinema, teatro e música. “Minhas Lágrimas” aparece, assim, como um árduo e terno manifesto de um artista que, aos 32 anos, decide falar em primeira‑pessoa pela trilha, sem amuletos da popularidade, mas com coragem de se mostrar irritado, frágil e sentimental.
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