Doação da família destaca o papel do jornalista e deputado na luta pela democracia no Brasil

A Fundação Casa de Rui Barbosa, instituição vinculada ao Ministério da Cultura, vai receber, por doação de Marie Moreira Alves, esposa de Márcio, o acervo pessoal do jornalista, escritor e ex‑deputado federal. Considerado uma das grandes referências na luta pela democracia e no enfrentamento da ditadura militar, Márcio Moreira Alves deixa um conjunto documental que percorre décadas da história política e intelectual do país, desde antes do golpe de 1964, passando pelos anos mais duros da repressão sob o Ato Institucional nº 5 até o processo de redemocratização. O recebimento reafirma a missão da Fundação como guardiã da memória democrática brasileira.
O arquivo pessoal de Márcio Moreira Alves é composto por 98 pastas de documentos, caixas com slides, medalhas, condecorações e outros objetos tridimensionais, com arquivos em papel, fotografias, registros audiovisuais, revistas e materiais originais preservados em seus estojos. A diversidade permite acompanhar diferentes fases de sua vida pública e intelectual, além de revelar as redes políticas, culturais e afetivas que o cercaram. Entre os itens mais relevantes estão dossiês sobre o processo de cassação de 1968, documentos ligados à crise de Alagoas e ao Canal de Suez, a tese de doutorado, registros de campanhas eleitorais, correspondências com Darcy Ribeiro, cartas familiares e registros de viagens, que permitem uma leitura profunda dos embates institucionais e das experiências pessoais vividas em um dos períodos mais críticos da história brasileira.
A trajetória de Márcio Moreira Alves se destaca pela atuação no jornalismo, no Parlamento e na defesa intransigente das liberdades democráticas. Em 1968, seu discurso na Câmara dos Deputados, que denunciava abusos do regime militar, tornou‑se um marco político, diretamente ligado ao contexto que culminou com o decreto do AI‑5. A partir desse episódio, passou a ser alvo de intensa perseguição, teve o mandato cassado, foi afastado da vida política e levado ao exílio, tornando‑se símbolo da repressão sofrida por parlamentares, jornalistas e intelectuais, mas também da resistência democrática e da luta pela liberdade de expressão.
A incorporação do acervo à Casa de Rui Barbosa representa um ganho expressivo para a preservação da memória política brasileira. O presidente da instituição, Alexandre Santini, destaca que receber o conjunto “é preservar um capítulo decisivo da história brasileira”, por reunir documentos que testemunham a defesa da democracia, da liberdade de expressão e dos direitos civis. O material dialoga ainda com a Coleção Família Sanson, já sob custódia da Fundação, possibilitando cruzamentos entre redes familiares, políticas e intelectuais que ajudaram a moldar percursos históricos. Ao longo de sua vida, Márcio produziu uma obra que se alinha diretamente com a missão da Casa: salvaguardar o pensamento crítico, a memória pública e os acervos essenciais para compreender o Brasil.
Ao receber e preservar os acervos de Márcio Moreira Alves, a Fundação Casa de Rui Barbosa consolida seu papel de garantir o acesso público à história, tratando a cultura como direito, memória viva e instrumento de construção democrática. O conjunto permite, para pesquisadores, estudantes e cidadãos, acompanhar de perto as tensões entre poder e liberdade, a formação de redes de resistência e a dimensão humana por trás de decisões que abalaram o país. A preservação de documentos como esses é condição para que episódios como o AI‑5 não sejam apenas lembrados como trauma, mas entendidos como aviso permanente para a defesa intransigente da democracia.
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