Exposição em BH reúne arte, maternidade e memórias

Mostra gratuita apresenta obras de quatro artistas mães

A relação entre maternidade, memória e criação artística ganha espaço na terceira edição da Exposição Arte na Maternidade, que acontece de 20 a 24 de outubro, no Galpão 5 da Funarte MG, em Belo Horizonte. Com entrada gratuita, a mostra apresenta trabalhos de Ada Medeiros, Amanda Olivier, Nathalia Fragoso e Tita De Lira, desenvolvidos durante uma residência artística dedicada ao tema Lembrança. Ao longo de um mês, as participantes estiveram envolvidas em encontros formativos, atividades coletivas e produção em ateliê, explorando experiências pessoais e familiares por meio de diferentes linguagens visuais. A exposição reúne pintura a óleo, cerâmica, instalações e arte sonora, propondo reflexões sobre os vínculos entre mães, filhas e gerações.

Créditos: Curadoras do MAM e artistas selecionadas – Foto: Fernanda Wardil

Com curadoria das artistas Iaci Carneiro e Ciana, nome artístico de Luciana Brandão, a mostra também representa um novo momento na trajetória das profissionais, que participaram como residentes da primeira edição do projeto. Agora, à frente da curadoria, acompanham os processos criativos de outras mulheres que conciliam a maternidade com suas carreiras artísticas. Para Ciana, a residência funciona como um espaço de formação individual e coletiva, permitindo o desenvolvimento profissional e garantindo condições para que artistas mães continuem produzindo. A programação formativa incluiu masterclasses com Ane Valls, sobre elaboração de portfólios; Paula Kimo, sobre carreira e produção cultural; Monica Ventura, sobre trajetória artística e maternidade; e Leticia Bassit, dedicada à escrita criativa.

As obras apresentam diferentes maneiras de revisitar lembranças e transformar experiências familiares em expressão artística. Nathalia Fragoso constrói uma instalação sonora inspirada nas memórias da avó, utilizando brinquedos produzidos por ela, gravações e objetos pessoais, além de referências à penteadeira que marcou sua história. Amanda Olivier recupera lembranças do quintal da infância e da relação com o pai, trabalhando com argila, fotografias e tecidos. Ada Medeiros estabelece um paralelo entre suas experiências como mãe e filha e a imagem de uma melancia, utilizada como símbolo de força, fragilidade e transformação. Já Tita De Lira aborda a ausência de uma figura paterna desconhecida e as memórias preservadas em tecidos que fizeram parte de sua vida e da trajetória de sua filha. As produções encontram na lembrança um elemento comum, embora cada artista apresente uma perspectiva particular sobre afeto, identidade e ancestralidade.

A residência integra as ações do Movimento Arte na Maternidade, que desenvolve projetos culturais em áreas como música, teatro, circo, poesia e artes visuais. Nesta edição, o programa também promoveu dois saraus nos Centros Culturais Lagoa do Nado e Usina, acompanhados de feira de artes visuais e atividades formativas gratuitas. Para Nathalia Fragoso, a experiência proporcionou um espaço de pertencimento no qual a maternidade e a criação artística podem coexistir. Amanda Olivier destaca a importância de revisitar lembranças familiares durante o processo de produção, enquanto Iaci Carneiro ressalta que a identificação entre mulheres fortalece a construção coletiva. A proposta da iniciativa é ampliar a visibilidade de artistas mães e criar oportunidades de desenvolvimento profissional diante dos desafios de conciliar trabalho criativo e responsabilidades familiares.

A Exposição Arte na Maternidade acontece entre 20 e 24 de outubro de 2026, das 13h às 20h, na Funarte MG, localizada na Rua Januária, 68, no Centro de Belo Horizonte. A programação de abertura está prevista para o dia 20 e inclui o espetáculo intimista de voz e violão O que eu cantei enquanto você dormia, da artista Mangaia, às 19h45. A apresentação acompanha a relação entre mãe e filha desde o período anterior ao nascimento. Todas as atividades têm entrada gratuita. O projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, por meio do projeto nº 0165/2024, e reforça a importância de espaços culturais que reconheçam a produção artística de mulheres e suas diferentes experiências com a maternidade.

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