Casa museu reúne escritoras, performances, música, oficinas e debates em São Paulo
A Casa Museu Ema Klabin transforma agosto em um percurso por literatura, memória, artes visuais, música e patrimônio com uma programação que amplia os diálogos da exposição “Habitar São Paulo: relatos femininos”, em cartaz até 27 de setembro. Um dos eixos do mês é o lançamento do catálogo da mostra, publicação que reúne perspectivas de dez escritoras sobre diferentes maneiras de morar, lembrar e experimentar a capital paulista. Os relatos literários aparecem em diálogo com imagens provenientes de arquivos públicos e particulares, estabelecendo conexões entre palavra, território, pertencimento e memória. A agenda também inclui conversas com autoras, oficinas, performances, música, atividades educativas e o Bazar da Cidade, distribuindo diferentes experiências culturais pela residência e pelo jardim projetado por Roberto Burle Marx.

A literatura ocupa espaço central na programação. O lançamento do catálogo de “Habitar São Paulo: relatos femininos” reúne as escritoras Adriele Oliveira e Paula Fábrio e as fotógrafas Giovana Pasquini e Geovana Victória em uma conversa sobre arquivos, preservação de narrativas, apagamentos e as formas pelas quais textos e imagens constroem memórias individuais e coletivas. A exposição também inspira uma oficina de escrita criativa nos dias 8 e 15, integrando as Jornadas do Patrimônio. Depois de uma visita mediada, os participantes são convidados a recuperar suas próprias lembranças para produzir narrativas sobre diferentes experiências de habitar São Paulo. No dia 16, Adriele Oliveira conduz ainda a oficina “Bordar o que sobrou”, que utiliza materiais descartados como papelão, isopor e plástico para refletir sobre memória, cotidiano e ressignificação dos objetos.
As conexões entre patrimônio e criação contemporânea aparecem também no “Jardim Imaginário 2026”. Nos dias 9 e 16, a artista Ana Dias Batista apresenta “SANS, SOUCI.”, performance inédita que parte das referências de Ema Klabin ao Palácio de Sanssouci, na Alemanha, uma das inspirações para a arquitetura e decoração da residência. Quatro atores especializados em estátuas vivas ocupam o jardim da casa museu e estabelecem um diálogo entre o espaço concebido por Burle Marx e questões relacionadas a trabalho, ócio, produção e tempo livre. A agenda avança para outras perspectivas culturais com a palestra “Protocolos de Axé e a coleção de artes das Áfricas de Ema Klabin”, de Janaína Machado, e com “O som e a poesia”, encontro marcado para 22 de agosto entre Alessandra Leão, Sapopemba e Gaspar Z’África, combinando percussão, poesia, rap, ancestralidade e memória afro-brasileira.
O encerramento do mês amplia a ocupação do jardim com o Bazar da Cidade, nos dias 29 e 30 de agosto. Com entrada gratuita, o evento reúne pequenos produtores e trabalhos autorais de diferentes regiões do Brasil nas áreas de design artesanal, moda, decoração, bem-estar e gastronomia, aproximando patrimônio e economia criativa. A diversidade da programação dialoga com a própria natureza da Casa Museu Ema Klabin, antiga residência da colecionadora e empresária que preserva um acervo formado por obras de Marc Chagall, Frans Post, Tarsila do Amaral e Candido Portinari, além de artes decorativas, peças arqueológicas e livros raros. Ao colocar esse patrimônio em contato com novas narrativas, artistas e públicos, a instituição reforça a ideia de museu não apenas como espaço de preservação, mas como território ativo de criação, reflexão e construção de novas memórias.
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