Caio Martim lança primeiro livro pela Mondru, vira-vira que opõe rotina corporativa à criação poética

Turismólogo de Cajamar (SP), Caio Martim estreia na literatura com “dia útil”, pela editora Mondru, costurando crise identitária pandêmica entre produtividade corporativa e pulsão criativa. Estruturado como vira-vira sem início ou fim, o livro divide-se em “corpo_ativo” e “poemática”, permitindo entradas múltiplas na tensão entre fórmulas de Excel, sonetos, listas e poemas visuais.
Nascido do isolamento no turismo, o eu-lírico oscila entre conformismo e revolta: “Qual o meio termo entre ser produtivo e criar?”. Temas como exaustão versus autocontenção, grito e silêncio ecoam em fragmentos como “sombra-problema / de um dia sem-sol, sem-lua” ou “a preço de / maçã- / -da-cara”, hibridizando cotidiano e intensidade.
Influenciado por Rosa Montero e Ferreira Gullar, Caio define poesia como gênero da contradição: “Permite fragmento e intensidade”. Mais que versos, é manifesto sobre legitimidade do conflito artista-trabalhador: “Não é erro, mas território de existência”. Formado em Lazer e Turismo pela USP, ele reflete mobilidade social e insegurança em mundo utilitário.
Estilo conciso e observacional resgata poesia nos intervalos do expediente, provando que arte e rotina se atravessam mutuamente. Ponto de virada pessoal, o livro assume escrita como essencial, não passatempo.
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